Alex Silva/AE - 17.08.2012
Alex Silva/AE - 17.08.2012

Em debate, João Paulo Cunha se defende de decisão de relator do mensalão

Candidato à Prefeitura de Osasco e réu em processo, deputado teve condenação pedida pelo ministro Joaquim Barbosa; petista diz aguardar resultado do julgamento com tranquilidade

Bruno Boghossian, de O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2012 | 12h16

Réu no processo do mensalão e candidato a prefeito de Osasco, na região metropolitana de São Paulo, o deputado João Paulo Cunha (PT) foi cobrado pela primeira vez em um debate eleitoral sobre sua suposta participação no escândalo de desvio de verba pública e compra de votos no Congresso Nacional. O petista se defendeu da decisão do ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), que esta semana pediu sua condenação pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato.

 

"Essa é a opinião do ministro relator, mas eu não costumo julgar as pessoas de forma parcial. É preciso aguardar o julgamento completo. Aguardo com absoluta tranquilidade e busco mostrar o preparo e o conhecimento que tenho da cidade de Osasco", disse João Paulo no debate realizado pela TV Bandeirantes, na manhã deste sábado, 18.

 

O mensalão não havia sido citado nos dois debates anteriores organizados por emissoras de TV regionais de Osasco, mas João Paulo sempre afirmava que responderia a qualquer pergunta sobre o julgamento.

 

No encontro entre os candidatos deste sábado, o petista foi confrontado com o mensalão em perguntas de um jornalista e do candidato do PSOL, Alexandre Castilho. Nas duas ocasiões, João Paulo disse ter tranquilidade para enfrentar o julgamento, mas fez apenas explicações breves sobre seu suposto envolvimento no escândalo.

 

"Quanto ao julgamento, vamos aguardar com serenidade e tranquilidade - serenidade das pessoas que sabem o que fizeram. A Justiça fará justiça", afirmou o petista.

 

João Paulo usou sua relação com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a presidente Dilma Rousseff como "vacina" nas duas vezes em que foi confrontado com o escândalo do mensalão. "O povo de Osasco vai saber separar quem tem preparo para governar a cidade. Tenho orgulho de ter apoio da presidente Dilma e orgulho de ter o apoio do (ex-)presidente Lula", disse, na segunda vez em que o julgamento foi abordado.

 

Único candidato a citar o mensalão durante o debate, Alexandre Castilho (PSOL) insinuou que o PT, que governa Osasco há oito anos, desvia recursos para beneficiar doadores de campanha e empresários.  "O dinheiro vem para a cidade de Osasco. Vem dinheiro do governo federal, mas também vem de outras fontes, como Marcos Valério e companhia, mas o dinheiro não está chegando para a população", afirmou Castilho, em referência ao publicitário Marcos Valério, apontado como "operador" do esquema de compra de votos e desvio de dinheiro público.

 

As últimas pesquisas de intenção de voto realizadas no município, em junho, tiveram resultados divergentes. Uma sondagem do Ibope mostrou Giglio na frente com 35%, seguido de Osvaldo Vergínio (PSD) com 19% e de João Paulo com 15%. Já uma pesquisa o instituto Sebram também tinha o candidato do PSDB na liderança, com 33,7%, mas o petista aparecia em segundo lugar, com 27,3%.

 

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