Reprodução/YouTube
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Em debate, Doria e Leite são confrontados por apoio a Bolsonaro em 2018

Evento sobre prévias tucanas é marcado por gafes, indiretas e saias justas; Arthur Virgílio assume papel de franco atirador

Pedro Venceslau, Matheus de Souza e Sofia Aguiar, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2021 | 15h22

Os três pré-candidatos do PSDB ao Palácio do Planalto participaram nesta terça-feira, 19, do primeiro debate das prévias. O evento promovido pelos jornais O Globo e Valor Econômico foi marcado por choro, gafes, indiretas e saias justas. O ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio assumiu o papel de franco atirador e constrangeu seus adversários Eduardo Leite (RS) e João Doria (SP) no evento.

O paulista defendeu o sistema de votação das prévias, que contará com urnas eletrônicas e um aplicativo para voto remoto dos filiados, e negou que seus aliados tenham pregado o voto impresso como foi divulgado. “De jeito nenhum defendo o voto impresso nas prévias. Aliado sem nome é adversário. Os oito deputados (federais) de São Paulo votaram contra o voto impresso no Congresso”, disse Doria em resposta a uma pergunta dos jornalistas. 

A declaração embute um recado indireto, já que parte da bancada tucana na Câmara que apoia Leite apoiou a proposta de Bolsonaro pelo voto impresso. Doria enfatizou que o sistema do PSDB é “moderno e adequado”. 

Favoritos, os dois governadores evitaram embates diretos, mas quando confrontado sobre o fato de ter declarado voto em Jair Bolsonaro no 2° turno da eleição presidencial de 2018, o gaúcho foi provocativo: “Não fui atrás dele (Bolsonaro) para tirar foto”. Trata-se de uma referência ao fato de Doria ter viajado ao Rio de Janeiro para se encontrar com então candidato do PSL na reta final da campanha em 2018. Na ocasião, Doria não foi recebido. Bolsonaro, porém, deu depois uma declaração de apoio ao tucano.

Neste tema, Leite foi alvo do questionamento mais duro do ex-prefeito de Manaus. “Você teria vencido a eleição (no Rio Grande do Sul) sem apoiar Bolsonaro? Você devia ter desprezado o apoio dele e perdido como um tucano de verdade.” O governador do Rio Grande do Sul lembrou então que seu adversário no Estado juntou o nome dele com o de Bolsonaro e reafirmou que não pediu votos para o atual presidente, “Fiz uma única declaração de voto em um vídeo”, disse Leite. 

Em sua réplica, Virgílio afirmou que votou em Henrique Meirelles (MDB) no 1° turno e Fernando Haddad (PT) no 2º,  mas em outro momento afirmou ter votado em Marina Silva (Rede) na primeira rodada presidencial de 2018. Foi a deixa para governador do Rio Grande Sul. “Eu votei no governador Geraldo Alckmin em 2018 e fiz campanha para ele. Isso é apoio.” 

Doria também foi confrontado sobre Bolsonaro, mas por jornalistas. “Faço essa autocrítica. Eu errei em relação ao presidente Bolsonaro. Não tenho compromisso com o erro, Não erro duas vezes”, respondeu. 

No início do primeiro bloco, Arthur Virgílio reclamou da animosidade nas prévias em uma perguntada a Doria. “Estou vendo muito uma frente anti-Doria e uma frente anti-Leite. Por quê não cuidamos só das questões públicas e acabamos com esse ‘tric tric’de jornal que não ajuda? Quero unidade e a vitória do PSDB”, disse o ex-prefeito. Virgílio disse ainda estar vendo “picuinhas” nas prévias. 

Em sua resposta, Doria minimizou. “Arthur, você quer a unidade e tenho certeza que o Eduardo também, assim como eu. Temos que tratar de políticas públicas. Sou filho das prévias. Disputei as duas únicas prévias realizadas até hoje no Brasil no PSDB, em 2016 para a prefeitura de São e 2018 para o governo. Prévias não dividem. Prévias somam e agregam.” 

Na reta final do debate Virgílio e Doria chegaram a chorar a falar do passados de seus pais, que foram parlamentares juntos e cassados pelo regime militar. O evento teve ainda momentos inusitados, como quando Virgílio esqueceu os nomes de Fernando Haddad e do próprio Eduardo Leite. 

De olho no eleitorado paulista, Leite citou três vezes o paulista Mário Covas. O gaúcho também publicou ontem nas redes sociais um longo vídeo em homenagem ao ex-governador paulista, que era avô do ex-prefeito Bruno Covas.

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