André Dusek/Estadão
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Em debate, Janot diz que Ministério Público é 'chamado a dar respostas'

O atual procurador-geral busca ser reconduzido ao cargo por mais dois anos em meio a críticas que vem sofrendo principalmente de políticos investigados pela Operação Lava Jato

Talita Fernandes e Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

27 de julho de 2015 | 15h46

Brasília - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse nesta segunda-feira, 27, que o Ministério Público vive um "momento ímpar" e que a instituição é chamada agora a dar respostas, sem especificar quais as dificuldades enfrentadas. "A instituição como um todo está sendo chamada a dizer para o que veio e está de maneira muito propositiva, tranquila, serena e responsável, profissional atuando e dando respostas", disse Janot na abertura de um debate entre os quatro candidatos ao cargo de procurador-geral da República, que acontece na tarde desta segunda em Brasília.

Janot disse que o Ministério Público responde aos questionamentos de "forma corajosa, autônoma, independente, e de forma responsável". O atual procurador-geral busca ser reconduzido ao cargo por mais dois anos em meio a críticas que vem sofrendo principalmente de políticos investigados pela Operação Lava Jato, conduzida pela Procuradoria-Geral da República. Senadores e deputados acusam o procurador-geral de conduzir as investigações de forma "pessoal". Nas últimas semanas, o clima de animosidade aumentou após a Polícia Federal ter executado medidas de busca e apreensão contra políticos investigados na Lava Jato a pedido do Ministério Público. "Se estamos nas luzes da ribalta, isso importa para que tenhamos em nós a consciência da responsabilidade histórica das respostas dadas pelo Ministério Público", disse.

Além de Janot, disputam o cargo de chefe do Ministério Público os subprocuradores Raquel Dodge, Carlos Frederico e Mario Bonsaglia. Entre todos, Frederico é visto como o opositor mais crítico à gestão feita pelo atual procurador-geral. Durante sua fala, Frederico fez provocações indiretas a Janot dizendo que o Ministério Público Federal está "carente" de inclusão.

Ele se comprometeu a promover "igualdade, inclusão e liberdade de expressão" no Ministério Público caso seja o escolhido para o cargo de procurador-geral. O candidato chegou a afirmar por duas vezes "serei o procurador-geral". Além disso, usou seu histórico como secretário-geral da PGR, durante a gestão de Antonio Fernando, para dizer que é preciso "medir as pessoas olhando o passado e o presente. Não acredite em promessas", concluiu. Os demais candidatos aproveitaram sua fala inicial para falar de questões internas do Ministério Público, como orçamento, carreira e estrutura administrativa.

Na próxima terça-feira, 5 de agosto, os integrantes do Ministério Público votarão em um processo que resultará em uma lista com os três candidatos mais votados. A lista tríplice será então encaminhada à presidente Dilma Rousseff, a quem cabe escolher o nome do próximo procurador-geral. O indicado precisa passar ainda pela aprovação do Senado, onde Janot deverá enfrentar resistência caso seja o escolhido pelo Poder Executivo. Atualmente 13 senadores são alvos das investigações da Lava Jato.

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