Em Curitiba, PM barra protesto, que não chega a desfile

A Operação 7 de Setembro, manifestação marcada pelas redes sociais e que pretendia protestar contra os grupos políticos, a corrupção e os custos das obras da Copa do Mundo juntamente com o desfile oficial que ocorria no Centro Cívico de Curitiba, foi barrada pela Polícia Militar, com o apoio da Tropa de Choque, que impediu que os cerca de 1,2 mil manifestantes, segundo a coordenação - 500 conforme a PM - se aproximassem da Avenida Cândido de Abreu, onde acontecia o evento.

JULIO CESAR LIMA E ELDER OGLIARI, Agência Estado

07 de setembro de 2013 | 14h21

O grupo, já bastante reduzido após três horas de negociações com a PM, entrou na avenida depois que o desfile havia acabado. Não houve confronto direto e até o início da tarde deste sábado, 26 pessoas haviam sido levadas para o Centro de Triagem. Seis delas foram detidas antes da passeata, por portarem, segundo a polícia, artefatos explosivos, martelos e pregos. Durante o trajeto foram vistos poucos black blocs, que se misturavam às outras pessoas.

No final da manifestação, no início da tarde, na Boca Maldita, um dos coordenadores da manifestação, Luan de Souza, coordenador nacional do Movimento Dia do Basta!, lamentou a falta de liberdade. "É lastimável que a população foi guiada pela polícia e proibida de usar sua liberdade de expressão", disse.

A manifestação começou às 8h30 com uma concentração em frente ao prédio da Universidade Federal do Paraná. Minutos depois houve um início de confusão por causa da revista que a PM fazia contra alguns rapazes mascarados e que depois foram detidos. Nesse momento um grupo tentou evitar a prisão deles e acabou dispersado.

No caminho, um veículo da RPC, retransmissora da TV Globo, foi pichada com as palavras "Globo mente". Para a polícia, a situação esteve sob controle. "Não há problemas, estamos conversando com eles (manifestantes) e depois poderão ir para onde quiserem depois de terminar o desfile", disse o Coronel Fadel, comandante da operação da PM.

Porto Alegre - Duas manifestações paralelas à parada militar e estudantil de Sete de Setembro percorreram as ruas de Porto Alegre na manhã deste sábado. Participantes de uma das mobilizações, formadas por grupos ligados ao Bloco de Lutas, depredaram alguns estabelecimentos comerciais quando estavam se dispersando, no centro da cidade.

Quatro pessoas foram detidas pela Brigada Militar durante a manhã.

Uma das manifestações, a tradicional Marcha dos Excluídos, reuniu sindicalistas, participantes das pastorais sociais da Igreja Católica e representantes de movimentos sociais para pedir democratização da comunicação, 10% do PIB para a saúde e educação e fortalecimento do SUS, entre outras reivindicações. O grupo se colocou na Ponte dos Açorianos e entrou na avenida Loureiro da Silva depois do desfile oficial.

A segunda manifestação foi mais tensa. Em outro ponto da mesma avenida Loureiro da Silva, na área de dispersão da parada militar e estudantil, jovens mobilizados por redes sociais, com dezenas de mascarados, foram bloqueados pelo Batalhão de Choque da Brigada Militar. Os manifestantes, defensores do passe livre no transporte coletivo, ironizaram a presença dos policiais imitando seus movimentos e exibindo cartazes com a palavra "nhoque".

Depois da manifestação, quando seguiam para o centro, alguns participantes do grupo depredaram um contêiner de lixo e a fachada de algumas lojas na avenida Salgado Filho. A Brigada Militar formou cordões de isolamento e houve um rápido enfrentamento. Um manifestante foi detido. No bairro Cidade Baixa, policiais prenderam três jovens que se dirigiam ao desfile portando facas.

O desfile oficial de Sete de Setembro reuniu cerca de dez mil pessoas. A Marcha dos Excluídos, cerca de 200, e o protesto dos jovens cerca de 300, segundo policiais militares que acompanharam as manifestações.

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