Em CPI, Zuanazzi vira alvo e J.Carlos é esquecido

Em um depoimento conjunto, somenteduas das quatro autoridades convocadas a falar na CPI da CriseAérea do Senado se destacaram nesta quarta-feira: o presidenteda Anac, Milton Zuanazzi, e o chefe da Infraero, brigadeiroJosé Carlos Pereira. Eles, no entanto, chamaram a atenção pormotivos diferentes. Enquanto Zuanazzi esteve na berlinda e foi alvo prediletodos ataques de parlamentares, o segundo acabou esquecido nasessão. Com raras perguntas dirigidas a ele, o titular daInfraero teve tempo até para puxar alguns minutos de cochilo. Informações de fontes do Palácio do Planalto fizeramcircular nos últimos dias a versão de que os dias de J. Carlosà frente do cargo estão contados. O próprio ministro da Defesa,Nelson Jobim, admitiu a possibilidade de trocar o comando daestatal. Além deles, foram chamados a depor o chefe do Centro deInvestigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa),brigadeiro Jorge Kersul Filho, e presidente da TAM, MarcoAntonio Bologna. Criticado por conduzir mal a Agência Nacional de AviaçãoCivil durante os dez meses de caos aéreo, Zuanazzi não foipoupado por senadores de oposição nem protegido pelosrepresentantes do governo presentes à audiência. Eleprotagonizou momentos polêmicos, foi verbalmente agredido eafirmou defendeu áreas de escape para as pistas do Aeroporto deCongonhas. "Se fôssemos fazer um aeroporto ideal, com certezaCongonhas não seria esse aeroporto", afirmou Zuanazzi. Parlamentares criticam o cunho político da indicação deMilton Zuanazzi para o comando do órgão e cogitam aprovar umaregra legal que facilite a demissão de diretores. Esta não é a primeira vez em ele reconhece que a pista deCongonhas opera no limite, apesar de ressaltar que ela é segurapara os padrões atuais de pousos de decolagens. As condições da pista, assim como defeito mecânico e falhahumana, são as hipóteses investigadas para esclarecer as causasdo acidente com o vôo 3054 da TAM, que vitimou 199 pessoas noúltimo 17 de julho. "Que precisamos de um outro aeroporto lá, não há a menordúvida", completou. Ele próprio já afirmou que a construção deum terceiro aeroporto é projeto apenas para 2050. INVESTIDAS Pelo menos três senadores investiram contra o presidenteZuanazzi. O senador Raimundo Colombo (DEM-SC) foi o que chegoumais longe, chamando-o de "ignorante". Ele se referia aodesconhecimento do depoente sobre o aeroporto Santos Dumont, noRio de Janeiro. Sobrou até para a CPI da Crise Aérea da Câmara. O relatorda comissão no Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO), sugeriu queos membros da outra Casa fossem cassados por quebra de decoro,após os deputados terem permitido a divulgação pública dosdados das caixas-pretas do Airbus da TAM na quarta-feira. ESQUEÇAM O QUE EU DISSE O brigadeiro Jorge Kersul criticou duramente a CPI daCâmara. Ele reclamou da divulgação pública dos dadosconfidenciais e propôs que, se as autoridades brasileirasquerem violar normas internacionais de sigilo a informações,que deixem a Convenção de Chicago (tratado responsável poressas regras). Preocupado com a repercussão de suas declarações à CPI navéspera sobre possíveis razões para o acidente, Kersulsalientou: "Queria lembrar que tudo o que eu falei até agora,sem exceção, não tem valor algum, porque se baseia totalmenteem hipótese". Já o presidente da TAM repetiu, quase que totalmente, asdeclarações que havia dado mais cedo à CPI da Câmara.

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