Em CPI, delegado defende autonomia da PF em escutas telefônicas

Em depoimento à CPI das EscutasTelefônicas Clandestinas, na Câmara, o delegado ProtógenesQueiroz defendeu mais poderes para a Polícia Federal ter acessoa dados telefônicos de investigados. Responsável pela Operação Satiagraha, em que a escutatelefônica teve papel preponderante, Protógenes disse que a PFprecisa de autonomia para ter acesso a informações dosassinantes de telefones. Hoje, é necessária autorização judicial para a escutatelefônica. A autorização é dada por 15 dias, prorrogáveis. "A autoridade policial não tem esse poder (escutas).Deveria ter, na minha avaliação, a exemplo do que ocorre com apolícia de outros países. A demora é que permite que o 11 deSetembro possa ter acontecido. Estamos atrasados, precisamosadotar métodos mais eficazes", disse o delegado no depoimento àCPI. Para Protógenes, a maior autonomia da PF contribuiria paraa solução da crise nas cidades. "Enquanto não tivermosagilidade, a cidade do Rio de Janeiro continuará refém, alocomotiva do país, a cidade de São Paulo, será paralisada poruma organização criminosa." Apesar de tentar evitar questões sobre a Satiagraha, odelegado confirmou que o chefe de gabinete do presidente LuizInácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, está sendoinvestigado. Ele aparece em gravações conversando com oex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, contratado pelo banqueiroDaniel Dantas, preso na Operação Satiagraha e já liberado pordecisão do Supremo Tribunal Federal. O deputado Wanderley Macris (PSDB-SP) disse que entregaráum requerimento convocando Carvalho a depor na CPI. Além de Dantas, foram presos no início de julho oinvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito Celso Pitta. Protógenesdeixou o caso alegando necessidade de frequentar um curso deaperfeiçoamento na Academia Nacional de Polícia, mas a versãode que foi afastado ganhou força depois de acusações de práticade excessos na investigação. Protógenes também foi responsável pela prisão de Law KinChong, acusado de contrabando, e do ex-deputado HildebrandoPascoal, líder de organização criminosa. O delegado tentou adiar o depoimento em mandado desegurança no Supremo Tribunal Federal, que negou o pedido namanhã desta quarta-feira. Antes de ingressar no STF na noite deterça-feira, Protógenes tentou também sem sucesso adiar odepoimento com os integrantes da própria CPI. Iniciado às 14h30, o depoimento do delegado da PF ainda nãoterminou.

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