André Duesk|Estadão
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Em conversa pelo viva voz, Aécio admite que pediu ajuda a Joesley

'Ele nos disse que tinha um relacionamento de contato frequente com Joesley Batista', disse o líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer

Erich Decat, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2017 | 11h02

BRASÍLIA - Em conversa com integrantes da bancada do PSDB do Senado logo após vir a público as negociações feitas com o empresário Joesley Batista, o presidente da legenda, senador Aécio Neves (PSDB-MG), não negou nesta quarta-feira, 17, ter procurado o dono da marca JBS para tentar levantar recursos para pagar os advogados, que atuam em sua defesa na Lava Jato. O valor negociado, segundo reportagem de O Globo seria de R$ 2 milhões.

Preocupados com o impacto sobre a legenda das acusações, integrantes da bancada do PSDB do Senado procuraram Aécio ainda na noite de quarta-feira, mas ele já havia deixado a Casa, logo após a divulgação das informações por parte do jornal "O Globo". Apesar de ausente, o tucano conversou por celular, em viva voz, com integrantes da bancada que se reuniram apreensivos para ouvi-lo.

“Ele nos disse que tinha um relacionamento de contato frequente com Joesley Batista. Então, Aécio disse claramente que foi ao Batista consultá-lo sobre o interesse dele na comprar de um imóvel, que pertence à mãe do Aécio. Ele não nega a conversa nem a intenção da conversa, de pedir uma ajuda ao Batista, sobre essa questão de viabilizar condições para pagar advogados”, afirmou o líder do PSDB no Senado ao Estado, Paulo Bauer (SC). “Ele ofereceu o imóvel, mas o Batista não quis. Então, ele acabou aceitando uma ajuda do Batista. Não falou claramente se era empréstimo, se era ajuda. Não sei. Mas ele garante que não comentou sobre favores, benefícios sobre qualquer tipo de questão institucional”, emendou Bauer.

O líder se reúne neste momento com integrantes da bancada para discutir o atual cenário após o pedido de prisão feito pela Procuradoria Geral da República contra Aécio.

'Temos um problema dentro do partido. Não vamos fugir, nem se esconder de nenhuma questão e providência. Vamos discutir o problema do Aécio, do Temer. Vai ser uma reunião para tratar da gravidade do momento”, ressaltou Bauer.

Segundo ele, antes de qualquer decisão institucional a cúpula do PSDB irá ouvir novamente Aécio sobre as acusações.

 

 

“O presidente do partido quando é acusado, investigado, claro que tem consequências internas. O PSDB é um partido muito grande. Vamos avaliar agora todos os fatos. Mas não podemos punir quem quer que seja sem que antes a pessoa tenha oportunidade de se defender”, considerou o líder. “A partir do momento que tomarmos conhecimento do teor das gravações, tendo a confirmação que realmente houve conversa de amigos fica caracterizado uma situação em que o crime em si não se configura. Agora, se houver alguma evidencia de crime o Aécio vai ter que responder pelos seus atos”, concluiu.

Advogados do senador Aécio Neves se reúnem desde o início da manhã na residência do tucano em Brasília.

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