Em conversa gravada, delatores falam em 'dissolver' o Supremo

Joesley sugere a executivo em áudio usar influência de ex-ministro da Justiça para 'organizar' o tribunal

O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2017 | 13h09

Nos novos áudios da delação de executivos da J&F entregues à Procuradoria-Geral da República (PGR), na semana passada, obtidos pela Veja, os delatores da J&F Joesley Batista e Ricardo Saud falam sobre "dissolver o Supremo" e sugerem que para isso irão usar o Zé (o ex-ministro da Justiça do governo Dilma, José Eduardo Cardozo, que supostamente teria ainda influência na Suprema Corte).

"Manda quem pode e obedece quem tem juízo, somos obedientes", diz Joesley em um dos trechos do áudio. "Eles vão dissolver o Supremo. Eu vou entregar o Executivo e você vai entregar o Zé e o Zé vai entregar o Supremo. Na miúda, não tem que falar mais nada pro Zé, chamar ele pra vir aqui, dizer que ele precisa trabalhar conosco e dizer que precisamos organizar o Supremo. Única chance que temos de sobreviver é isso. Você tem quem? A, B, C, D, F... Como é cada um, qual influência que vc tem nesse fdp, como a gente grampeia, o Zé vai entregar tudo. Vai falar de dois só, só vamos entregar o Judiciário e o Executivo. A Odebrecht moeu o Legislativo, nós vamos moer (Executivo e Judiciário)."

Joesley diz que eles irão fazer um serviço tão bem feito que não vai precisar chamá-los. "As gravações, não vai precisar de nós. O Zé vai entregar o Supremo. Eu vou chamar o Zé e dizer, a casa caiu, velho, preciso de você, vamos montar nossa tática de guerra aqui, por onde a gente chega e vamos botar tudo na conta do Zé. E, ó, tchau. Por isso que nós dois temos de estar alinhados, nós dois e o Marcelo. Temos de operar o Marcelo (Miller-ex-procurador que deixou a força-tarefa da Lava Jato para trabalhar em escritório de advocacia que negociou delação dos executivos) direitinho pra chegar ao Janot (procurador-geral da República). É o que eu falei pra Fernanda, não podemos ser o primeiro, temos de ser a tampa do caixão. Não vamos dar nem o primeiro e nem o último tiro, vamos bater o prego da tampa (do caixão)." A reportagem procurou o ex-ministro Cardozo e aguarda o retorno.

No áudio, Joesley fala também que não teme ser preso e que a chance disso ocorrer é "zero". "Não tem nenhuma chance. Nenhuma chance. Sabe qual a chance de eu ser preso? Nenhuma. Zero. Não precisa dar explicação nenhuma. Por quê? Porque não vai. Não tem nenhuma chance. Queria tranquilizar todo mundo, eu não vou ser preso, ninguém vai ser preso", diz o empresário dono da JBS, na conversa com Ricardo Saud. 

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