Em convenção, tucanos atacam PT e exploram caso Palocci

Apesar de racha interno, lideranças do partido se uniram em discursos contra o governo Dilma; FHC criticou lentidão das obras da Copa e Serra, 'capacidade gerencial' da presidente

28 de maio de 2011 | 16h05

BRASÍLIA - O PSDB se uniu neste sábado, 28, para atacar o governo Dilma Rousseff e explorar a crise que cerca o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Último a discursar na convenção tucana, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi a voz mais dura contra o governo.

 

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"É o governo da bazófia, do lero-lero, da intriga, é fracasso para todo o lado", disse o ex-presidente. Um dos pontos mais criticados por FHC foi o cartel de obras tocados ou priorizados pelo Planalto. "Nunca como antes teve obra parada, ou que não se sabe se vai começar, como o trem-bala, que é para servir às empreiteiras. Não paremos, lutaremos contra o desperdício". Outra crítica foi à disposição do governo de conceder aeroportos à iniciativa privada para concluir investimentos para a Copa do Mundo. "Passaram anos criticando a privatização, agora vão fazer concessão. Vai ser um puxadinho aqui, outro ali".

Fernando Henrique previu para 2012 o primeiro grande teste para a oposição: "A eleição municipal está próxima, temos de fazer trabalho de formiguinha".

 

Na mesma linha, o ex-governador José Serra, derrotado por Dilma em 2010, atacou, ainda, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que voltou à ribalta da política em Brasília em um esforço de contenção da crise. "Em muito pouco tempo de governo aquilo que se considerava de pior já está acontecendo. Cada vez mais na Presidência da República, a sua ocupante do cargo governa cada vez menos. E aquele que não foi eleito governa cada vez mais. Esta é a realidade", disse Serra.

 

"Aquele mesmo que deixou para o país uma herança maldita, a herança maldita do governo Lula, que é a inflação subindo dos alimentos e serviços, as estradas esburacadas, a falta de aeroportos", emendou, aplaudido pelos convencionais do PSDB.

 

O enriquecimento de Palocci animou os discursos. "Este é o Brasil do engano. Temos um governo negligente, ineficiente, omisso, incompetente e que agora de novo começa a navegar nas águas da corrupção", disse o ex-governador paulista.

 

A presença de Lula em Brasília, que saiu em socorro do governo, foi criticada ainda pelo presidente reeleito do partido, deputado Sérgio Guerra. "A Dilma é autoritária, não tem liderança e possui capacidade gerencial limitada", disse Guerra. "Foi como na campanha, sempre que havia problemas ela tomava uma injeção de Lula", afirmou.

 

O senador Aécio Neves (MG) preferiu não atacar diretamente o governo. Presidenciável do partido, o mineiro optou pelo marketing do próprio PSDB. "Ninguém inovou tanto nesse país como inovou PSDB. Ninguém fez mudanças mais profundas nesse país como fez o PSDB. E se somos hoje um país melhor, e realmente somos, se somos um país moderno e se novamente voltamos a ser respeitados internacionalmente e se estamos diminuindo nossas diferenças regionais, tudo isso é consequência do que foi implantado no presidente do FHC. Foi estabilidade econômica. E com ousadia para fazer aquilo o que os que hoje estão no poder não tem coragem de fazer. Vamos tucanas e tucanos de todo país andar pelas ruas do país de cabeça erguida e dizendo somos sérios, somos éticos e quando assumimos o governo sabemos fazer o que precisa ser feito".

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