Em convenção, Haddad faz duras críticas à Kassab

Com um discurso incisivo, criticando a gestão do atual prefeito Gilberto Kassab (PSD), aliado do tucano José Serra neste pleito, o petista Fernando Haddad teve sua candidatura para prefeito da cidade de São Paulo homologada neste sábado em convenção municipal do PT.

BEATRIZ BULLA E DAIENE CARDOSO, Agência Estado

30 de junho de 2012 | 16h59

O petista acusou Kassab de ter recusado apoio do governo federal por valorizar seus interesses partidários. "Um crime foi ter voltado as costas para o governo federal para não compartilhar o sucesso. A conta do fracasso chegou e ele vai ter de engolir essa, não tem com quem compartilhar", afirmou no evento de seu partido realizado no salão nobre da Câmara Municipal.

Haddad foi firme ao dizer que o prefeito "anda muito ocupado perseguindo ambulantes com deficiência e moradores de rua". Segundo o candidato, um prefeito deveria, em seu último ano de mandato, estar entregando obras. "O lixo que não é coletado nas comunidades, isso não incomoda o prefeito. Mas um prato de sopa incomoda o prefeito", afirmou em referência à recente ameaça da Prefeitura de São Paulo de não incentivar a distribuição de comida a moradores de rua no Centro. "Pela primeira vez, eu vi um prefeito que queira criminalizar a caridade", atacou.

"Um prefeito com recorde de arrecadação, como esse teve, chega ao último ano de governo com uma agenda antissocial truculenta. Em um momento dramático na cidade, em que a violência aumenta exponencialmente, é essa a agenda que se oferece? São Paulo merece mais que isso", pregou Haddad.

O candidato classificou ainda a gestão Kassab como uma administração pautada por uma organização "mesquinha e provinciana". Para finalizar, Haddad foi contundente ao dizer que São Paulo não é uma cidade conservadora. "Essa cidade não é conservadora. Já elegeu um negro, uma nordestina, uma sexóloga. Atuam nessa cidade forças conservadoras. Nós vamos vencer essas forças conservadoras com a cidade de São Paulo e não contra a cidade de São Paulo."

Coligação

No evento que homologou a candidatura de Fernando Haddad, estiveram presentes os representantes não só do PT, mas também do PSB, PCdoB e PP, que formam a coligação para as eleições municipais.

Sobre a aliança controversa com relação ao apoio do PP, do deputado federal Paulo Maluf, Haddad afirmou: "que defeito tem (a aliança) de não ser ainda mais ampla. Eu gostaria de representar toda a base aliada do governo Dilma".

Na convenção foi homologada a candidatura de 73 candidatos a vereador pelo PT. O evento contou com a presença do presidente municipal do PT, Antônio Donato, o presidente municipal do PSB, Eliseu Gabriel, do presidente municipal do PCdoB, Vander Geraldo, do secretário-geral do PP, Jesse Ribeiro, do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, da esposa do candidato petista, Estela Haddad, e da vice na chapa de Haddad, Nádia Campeão.

Tudo o que sabemos sobre:
eleiçõesHaddadKassab

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.