Em congresso, PT debaterá nova constituinte e fim do Senado

Temas foram apresentados por Berzoini, presidente do partido, na abertura do evento

Carmen Munari, da Reuters, e Elizabeth Lopes, da Agência Estado,

31 de agosto de 2007 | 19h17

O PT vai discutir no 3º Congresso Nacional da sigla uma proposta de aprovação de uma nova assembléia constituinte para promover uma reforma política que inclua um sistema único de representação no Congresso, extinguindo o Senado. O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), defendeu a proposta nesta sexta-feira, na abertura do encontro que vai até domingo. "Muitos países têm sistema unicameral. É mais produtivo para a democracia, agiliza os processos e reproduz a vontade do povo", disse ele a jornalistas.  Veja também: Lula não vai participar da abertura do evento 'PT chega a Congresso dependente de Lula' Suplicy canta Racionais e Bob Dylan no congresso "Hoje os Estados são representados de maneira extremamente desigual. Na Câmara, um pouco desigual. No Senado, profundamente desigual. Acho que em uma federação tem que se equilibrar nos interesses dos Estados nas questões federativas, mas nas questões de interesse do povo, tem de ser a voz da população, e não das unidades federativas", afirmou. Além da mudança sobre o formato do Congresso, o PT defende o financiamento público de campanha e a fidelidade partidária. No ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia sugerido a realização de uma assembléia constituinte para alterar o sistema político, proposta criticada pela oposição. Na avaliação dele, o PT pretende discutir uma nova Constituinte com a sociedade para corrigir "os vícios da Constituição de 1988". No seu entender esses vícios ocorrem sobretudo no sistema político, citando como exemplos a falta de fidelidade partidária e o financiamento privado de campanha. Berzoini falou também a respeito da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu abrir ação penal contra 40 envolvidos no esquema do mensalão. Segundo ele, não há razão para que este assunto fique de fora desse congresso. Mas ressalvou: "O assunto não é prioridade e não há razão para ser tema central desse congresso". O presidente nacional do PT disse que não está programado nenhum ato de desagravo aos petistas envolvidos no processo e frisou que a legenda tem sido solidária a eles. Neste sábado, Lula fará um pronunciamento aos mais de 900 delegados do partido no evento. O presidente evitou ir à abertura do Congresso nesta sexta-feira, onde teria seu discurso ofuscado em meio a muitos outros que serão feitos por dirigentes petistas.      Mensalão   Apesar da tentativa da direção do PT de evitar o tema do mensalão, muitos réus, acusados de participar do suposto esquema de compra de votos, aproveitaram o 3º Congresso Nacional do partido para se defender das acusações. Nesta sexta-feira, dia de abertura do debate, o ex-presidente da sigla e deputado federal José Genoino (SP) disse que tem a consciência tranqüila, mesmo tendo que responder a processos por formação de quadrilha e corrupção ativa no Supremo Tribunal Federal (STF).  Ex-presidente da Câmara, o deputados federal João Paulo Cunha (SP) disse que vive "um calvário" depois de ser considerado réu pelo STF, junto a outros ex-dirigentes petistas, incluindo Genoino, o ex-tesoureiro Delúbio Soares, o ex-secretário-geral Silvio Pereira e os ex-ministros José Dirceu e Luiz Gushiken. "Eu deixaria todos os meus mandatos, toda a minha militância para não ter tido nenhum minuto dessa tormenta, que é muito dura", afirmou ele.   Para o vice-presidente do PT e assessor especial de Relações Institucionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, muitos dos argumentos apresentados pelo STF para abrir processo contra os 40 acusados são frágeis. "Muitos dos argumentos utilizados contra vários dos indiciados são muito frágeis e não deverão resistir a um julgamento objetivo, como o STF fará", argumentou ele, ao chegar ao Centro de Exposições Imigrantes, para o congresso. Na avaliação de Garcia, o que existe é o início de um processo. Ele não acha que este tema será prioritário durante o Congresso do PT, que termina neste domingo e contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste sábado. Apesar disso, diz que o partido está solidário aos integrantes da legenda envolvidos neste processo.  O Congresso Nacional do PT reúne até domingo 931 delegados, que vão discutir mais de 70 propostas que vão da antecipação da escolha da direção partidária até a possibilidade de candidatura na eleição presidencial de 2010. Dirigentes da legenda não descartam apoiar um candidato de um partido aliado à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que no sábado participará no Congresso petista.  

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