Wilton Junior / Estadão
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Em conflito com o PSL, Witzel quer ser opção do partido para 2022: ‘Precisamos unir o País’

Governador, que vive cenário turbulento com a legenda do presidente, começa a se posicionar para 2022 pregando diálogo e fim da polarização

Caio Sartori e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2019 | 11h51
Atualizado 19 de setembro de 2019 | 20h07

RIO – O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), criticou indiretamente o presidente Jair Bolsonaro ao dizer que a política brasileira ainda não abandonou o palanque das eleições do ano passado. O governador, que confirma a intenção de concorrer à Presidência em 2022, pregou a “união do País” e, ao analisar o cenário que se desenha para a eleição, disse que gostaria de ser uma opção para o próprio PSL de Bolsonaro, com o qual está em conflito.

“Em 2022 nós temos que avaliar o cenário: como vai estar o Bolsonaro, como vão estar os outros candidatos”, disse. “Eu gostaria de ser também uma opção (de apoio) para o PSL.” 

Witzel esteve na sede do BNDES, no Rio, onde fez palestra na abertura do Fórum Nacional. Com discurso centrado em temas nacionais, disse que o País perde quando a política “permanece polarizada”. Numa tentativa de se colocar como um contraponto ao governo Bolsonaro, falou pelo segundo dia seguido que tem um projeto de Brasil.

Diálogo e combate à intolerância

Como símbolo da união que prega, Witzel sugeriu um aperto de mão com o petista Wellington Dias, governador do Piauí, que participou do evento a seu lado. O gesto de conciliação é uma forma de se desvencilhar do radicalismo de Bolsonaro e se posicionar como um candidato mais moderado que o atual presidente, a exemplo do que vem fazendo o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

Após a palestra de Dias, Witzel voltou a tomar a palavra e disse que, guardadas discordâncias ideológicas, é preciso manter o diálogo. “Não podemos levar para a intolerância. Tenho um filho trans, que faz parte do movimento LGBT, embora meu partido seja um partido cristão”, afirmou, com a voz embargada, o governador do Rio, que também chamou de “lambança” a ação do prefeito Marcelo Crivella na Bienal do Livro.

No início desta semana, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), que preside o partido no Estado, determinou o desembarque da legenda do governo Witzel. A ordem inclui tanto a base aliada na Assembleia Legislativa, a Alerj, quanto cargos na gestão.  Nesta quarta-feira, Flávio deixou claro que quem quiser continuar como aliado do governador deve se desfiliar do PSL.

Witzel afirmou que as portas do PSC estariam abertas para eventuais descontentes com a ordem do senador. “Os deputados do PSL são excelentes quadros e serão bem-vindos”, afirmou. O governador disse ter ficado surpreso com a decisão de Flávio, que será procurado para conversar sobre o assunto. 

Até agora, porém, ninguém renunciou. Os secretários de Ciência e Tecnologia, Leonardo Rodrigues, e de Vitimização e Amparo à Pessoa com Deficiência, Major Fabiana, ainda não deixaram os cargos. A tendência é que Rodrigues continue no governo e se filie ao PSC. Já Major Fabiana, que foi uma indicação mais vinculada à sigla do que o secretário de Ciência e Tecnologia, deve sair do governo do Estado.

Estima-se que políticos do PSL tenham feito cerca de 40 indicações para funções menores em órgãos estaduais. Desses, ninguém renunciou até aqui, estima-se na agremiação. A única sinalização explícita de desembarque envolve a vice-liderança do governo na Assembleia Legislativa (Alerj), ocupada pelo deputado Alexandre Knoploch (PSL). Ele deve deixar a função.

De modo geral, porém, ainda não está claro como funcionará a relação entre o governador do Rio e o braço fluminense do PSL, muito próximo de Witzel. O governador aparece, por exemplo, ao lado do deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL), o mais votado do Rio em 2018, na emblemática foto em que exibe, quebrada, uma placa com o nome da vereadora Marielle Franco, assassinada a tiros,  em 18 de março de 2018, com o motorista Anderson Gomes.

A discordância, que até semana passada se limitava aos bastidores, explodiu quando Witzel fez críticas a Bolsonaro em entrevista ao canal Globonews e negou que tenha sido eleito na esteira do bolsonarismo em 2018. Ele tinha 1% das intenções de voto no início do período eleitoral.

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