Em comício de Marta, Lula diz que adversários agem como ''hipócritas''

?Até o pessoal do DEM está com fotografia minha?, ironizou o presidente, que atacou Alckmin e Kassab sem citar nomes

Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

20 de setembro de 2008 | 00h00

Irritado com os constantes ataques do DEM e do PSDB, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu entrar na briga. Ao participar ontem de comício da candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, Lula chamou os adversários da petista e do Planalto de "hipócritas" e "oportunistas". Foi além: disse que a oposição copia as propostas de Marta e, apesar de criticá-lo em público, simula seu apoio na campanha eleitoral em vários municípios.   Veja galeria de fotos do comício de Lula e Marta"Eu viajo o Brasil inteiro e até o pessoal do DEM está com fotografia minha", afirmou Lula, durante comício em Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte. "De dia me xingam na Câmara e no Senado e de noite distribuem santinhos do Lula na rua da cidade onde moram. Vejam onde chegou a hipocrisia! Eles não têm lado porque são oportunistas", acrescentou.No palanque, Lula não dirigiu as estocadas apenas ao DEM do prefeito Gilberto Kassab, que concorre à reeleição. Lembrou a disputa de 2006, quando enfrentou o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), para desconstruir o discurso do tucano, por quem não esconde a antipatia. Mesmo sem citar nominalmente Alckmin e Kassab, ele não deixou dúvidas sobre quem se referia."Na campanha presidencial, esses mesmos que hoje copiam todas as propostas que a Marta faz eram aqueles que iam para a TV me achincalhar, me ofender e dizer que o governo não fazia nada", acusou Lula. Para que a referência a Alckmin ficasse bem clara, recordou até mesmo um comercial do tucano. "Hoje até eles dizem: ?Ah, o Lula tudo bem, mas o PT é que não sei das quantas...? Eles estão brincando com a nossa inteligência", gritou, para comemoração da platéia, que agitava bandeiras coloridas.Em tom intimista, o presidente disse que alguns setores da oposição têm "ódio, preconceito e raiva" de seu governo e do PT, mas sofrem metamorfose na campanha para pegar carona em sua popularidade. "Nós temos lado, nós temos cara, nós temos rosto e nos apresentamos como somos", insistiu.Para o deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente nacional do DEM, a declaração de Lula foi "muito desrespeitosa". "Acho que a arrogância dele foi causada por efeitos da altitude da viagem de avião até São Paulo", provocou. Seu colega Édson Aparecido (PSDB-SP), coordenador da campanha de Alckmin, reagiu com mais acidez: "A maior demonstração de hipocrisia foi Lula se eleger criticando a política econômica do governo do PSDB e depois não fazer nada diferente."?BAIANINHO?Embora saiba que a eleição em São Paulo só terá desfecho no segundo turno, Lula cobrou empenho dos militantes para liqüidar a fatura no dia 5 de outubro. Disse que Marta está "muitos degraus" à frente de seus rivais e chegou a afirmar que a eleição da petista vai ajudá-lo em Brasília.Em conversas reservadas, o presidente tem avaliado que a disputa na capital paulista é uma prévia da campanha de 2010 ao Planalto, quando haverá duro confronto entre petistas e tucanos. Além de emblemática, a vitória de Marta é considerada fundamental pelo governo para consolidar o projeto de poder do PT."Vamos conversar com os nossos companheiros e dizer: ?Gente, ajude aquele baianinho que está governando o Brasil elegendo Marta prefeita", apelou Lula, provocando gargalhadas na platéia. Detalhe: embora seu apelido seja "Baiano", o presidente é pernambucano.Apesar de ter dito que evitaria entrar nos embates municipais no primeiro turno, Lula não só quebrou a promessa como demonstrou ontem, no comício ao lado de Marta, que não consegue ficar longe dos palanques.Em pouco mais de uma hora, distribuiu broncas, acenos, sorrisos, explicou programas do governo, falou da descoberta de petróleo na camada pré-sal e até ganhou um terço. Afirmou estar muito feliz porque "as coisas estão dando certo" e não conteve o tom ufanista ao dizer que "Deus assumiu publicamente que é brasileiro".Uma mistura de jingles das campanhas de Marta e Lula embalou o comício. "É Lula lá, Marta aqui e lá também", disseram candidatos a vereador que se revezaram no palanque, numa alusão ao desejo de algumas alas do PT de ver a petista alojada no Planalto em 2011. Até agora, porém, a favorita de Lula para ocupar a vaga é a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT).Na tentativa de associar cada vez mais seu nome aos índices de aprovação do governo federal, Marta procurou adotar o mesmo estilo coloquial do presidente e conversou com a platéia. "Tenho certeza de que a senhora pode agora trocar sua geladeira, dona Malvina", disse ela. Aos rivais, porém, sobraram ataques.Depois do comício, Lula visitou o vice-presidente, José Alencar, que recebeu alta do Hospital Sírio Libanês após cirurgia para retirada de três tumores na região abdominal. O presidente também gravou mensagem de apoio para ir ao ar no programa eleitoral de Marta. No início da noite, Lula fez comício em Mauá em apoio ao candidato Oswaldo Dias (PT). Lá ele também protestou contra o uso de sua imagem por adversários. "Que não usem meu nome em vão", afirmou. No local, uma faixa ligava Lula a Chiquinho do Zaíra (PSB), rival do candidato petista.

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