Roberto Stuckert Filho/PR
Roberto Stuckert Filho/PR

Em entrevista, Dilma e Obama selam clima amistoso entre os países

Presidentes dos dois países reforçam novo momento na relação bilateral, que ficou abalada por dois anos após escândalos de escutas dos EUA

Tânia Monteiro, enviada especial e Cláudia Trevisan, correspondente, O Estado de S. Paulo

30 de junho de 2015 | 18h47

Washington - Celebrando a identidade e os valores comuns do Brasil e dos EUA, os presidentes Dilma Rousseff e Barack se encontraram nesta terça-feira, 30, na Casa Branca para colocar fim a quase dois anos de abalo na relação bilateral. O americano disse que o Brasil é um ator global e "parceiro absolutamente indispensável" no enfrentamento de desafios mundiais, entre os quais a mudança climática ocupou lugar de destaque no encontro.

"Eu acredito que esta visita marca mais um passo em um novo, mais ambicioso capítulo no relacionamento entre nossos países. Nós estamos focados no futuro", declarou Obama ao lado de Dilma, na entrevista coletiva concedida por ambos no Salão Leste da Casa Branca. "Eu acredito que nossos dois países são parceiro naturais -nas Américas e ao redor do mundo", ressaltou.

A brasileira se dirigiu ao americano como "querido presidente", enquanto ele a chamou de "amiga". Na maior parte das vezes em que se referiu à visitante Obama usou o seu primeiro nome, algo pouco usual no protocolo americano, no qual líderes são tratados pelo sobrenome. "Dilma, eu quero agradecer o seu compromisso de levar a parceria entre nossos países a um novo patamar." 

Sobre as dificuldades de reconstruir a confiança da relação bilateral no momento em que Dilma enfrenta uma crise política doméstica, Obama respondeu: "Eu confio nela totalmente. Ela sempre foi muito honesta e franca comigo sobre os interesses do povo brasileiro e sobre como podemos trabalhar junto. Ela cumpriu o que prometeu".

Em meados de 2013, a presidente cancelou visita de Estado que faria a Washington em protesto contra revelações de que a agência de espionagem americana, a NSA, havia monitorado suas comunicações. Questionada pela imprensa se o episódio estava superado, a presidente observou que "algumas coisas mudaram" desde então. Segundo ela, Obama e o governo americano declararam "em várias oportunidades" que não haveria mais "atos de intrusão" em países amigos.

"Eu acredito no presidente Obama. E tem mais: ele também me disse que se precisar de alguma informação não pública sobre o Brasil, ele me telefonaria. Então eu tenho certeza de que as condições passaram a ser bastante diferentes agora."

A situação da economia brasileira também mudou em relação a 2013. Naquele ano, o PIB cresceu 2,8% e o desemprego estava contido. Agora, Dilma comanda uma economia que deve encolher 1,1% em 2015, o que terá consequências negativas sobre o mercado de trabalho. 

Com a ida aos Estados Unidos, a presidente tenta encontrar novas fontes de crescimento e cooperações que ampliem a produtividade brasileira. Depois da devastadora crise financeira de 2008, a maior economia do mundo reagiu e deve fechar 2015 com expansão de pelo menos 3%.

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