Em clima nervoso, votação para mudar CLT se arrasta

É em clima nervoso, marcado por xingamentos e agressões físicas entre deputados governistas e da oposição e por seguidos tumultos nas galerias, onde sindicalistas ameaçaram quebrar os vidros internos sobre o plenário, que a votação das mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) se arrasta no fim da noite desta terça-feira.A oposição empenhou-se mais em desgastar o governo, com sucessivas manobras regimentais para esticar a sessão, do que em derrotá-lo no plenário.Cantou vitória antes mesmo de contar os votos, ao mesmo tempo em que líderes do governo davam como certa a derrota da esquerda e do PMDB. ?O resultado do painel eletrônico de votação não importa: a batalha política nós já ganhamos?, avaliou o deputado José Genoíno (PT-SP) às 22h, já cansado da sessão, que começara às 17h30.?Nem ganhando no voto o governo não tem como se sair bem desta história, porque perdeu a batalha da comunicação para os partidos de esquerda e para os sindicatos?, concordou o vice-líder do PSDB, deputado Nelson Marchezan (RS).Àquela altura, o governo previa uma vitória apertada, com uma margem de no máximo 20 votos de vantagem. Para que o projeto fosse aprovado, bastava reunir o apoio da maioria com qualquer número, desde que garantisse o quorum mínimo de 257 deputados.O presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), decidiu pôr a proposta em votação nesta terça à tarde, apesar do risco de o governo sair derrotado.Sem o apoio do PMDB, que decidiu engrossar a oposição, o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), admitiu que era impossível garantir a vitória, mas decidiu comandar a operação para aprovar as mudanças na CLT por determinação do presidente Fernando Henrique Cardoso e do ministro do Trabalho, Francisco Dornelles.O governo avaliou que adiar só traria prejuízos, mas diante da dificuldade de aprovar o projeto, chegou a admitir o adiamento por uma sessão. Era o que propunha um requerimento do PT, só para dificultar a vida do Palácio do Planalto.Ao perceber que o governo aceitaria transferir a votação para ter mais segurança do resultado, a esquerda retirou a oferta. O PSDB também tinha pressa de se livrar da proposta. A bancada reuniu-se e se decidiu pela votação imediata.?Fechamos questão no sentido de encerrar este assunto de uma vez, porque o prejuízo que podíamos ter com a votação já aconteceu e é irremediável?, resumiu a deputado Yeda Cursius (RS) depois do encontro.Os tucanos avaliaram que, quanto mais tempo passasse, mais estragos o PT e a CUT fariam na imagem do governo e do partido. ?Eles são muito mais competentes do que nós na comunicação?, admite Yeda. Além da competência das esquerdas, os governistas acreditam que foram prejudicados pela ação de empresários e sindicatos patronais.?As entidades patronais conduziram mal a questão, com uma defesa muito ostensiva e intransigente da proposta, dando a entender que o grande beneficiado seria o patrão?, lamentou o deputado Felix Mendonça (PTB-BA).

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