Ed Ferreira/AE
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Em clima de disputa, bancada do PT decide destino de Marta no Senado

Presidente do PT foi chamado para garantir desfecho pacífico; senadora resiste em cumprir acordo

Andrea Jubé Vianna, de O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2012 | 19h35

A bancada do PT no Senado se reúne nesta quarta-feira, 1º, às 11 horas, para definir a permanência ou não da senadora Marta Suplicy (PT-SP) na vice-presidência da Casa. Marta resiste em cumprir o acordo celebrado há um ano com José Pimentel (PT-CE), de que fariam um rodízio no cargo.

A disputa está tão acirrada que o presidente do PT, Rui Falcão, foi convidado a participar da reunião a fim de contribuir para um desfecho pacífico. Isso porque a solução do impasse reflete, diretamente, na campanha do petista Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo. Outra pauta é a sucessão do atual líder petista, Humberto Costa (PE).

Nos bastidores, senadores petistas avaliam que faltou sutileza a Marta Suplicy nas tratativas para continuar no segundo cargo de comando do Senado. Seria como se Pimentel tivesse de se contentar com o cargo de líder do governo no Congresso.

Petistas ouvidos pela Agência Estado relatam que nos telefonemas que Marta disparou em busca de apoio para sua permanência no cargo, ela teria adotado uma atitude impositiva. Nessas conversas, alegou que merecia o cargo porque renunciou à candidatura a prefeita de São Paulo. Se também tivesse de abdicar da vice-presidência, era como se sofresse duas rejeições por parte do PT, prejudicando-a junto ao eleitorado. A cúpula petista receia que, frustrada em seus objetivos, Marta - que tem forte penetração na periferia - não ajude na campanha do ex-ministro Fernando Haddad à prefeitura paulistana.

Sucessão na liderança. Em outra frente, os senadores Wellington Dias (PT-PI) e Walter Pinheiro (PT-BA) disputam a sucessão do atual líder, Humberto Costa. Pinheiro afirmou à Agência Estado que não partirá para o confronto com o piauiense. "Ao invés de sair aos tapas, vamos sair de braços dados", afirmou.

Por sua vez, Dias intensificou as negociações para arrebatar a liderança. Dias, que no ano passado liderou a cruzada dos Estados do Nordeste e do Norte pela redistribuição dos royalties de petróleo, não quer distância dos holofotes. Nos bastidores, ele argumenta que a Bahia já conta com uma representação forte no governo.

No ano passado, Pinheiro ganhou uma relatoria importante: o Plano Plurianual 2012-2015, que define o plano de investimentos do governo para os próximos quatro anos. Além disso, atribui-se ao governador da Bahia, Jaques Wagner, e a Walter Pinheiro, aliado de primeira hora de Wagner, a indicação do deputado Afonso Florence (PT-BA) para ser o ministro do Desenvolvimento Agrário.

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