Em clima de despedida, Lula faz 'tour' de dez dias pela África

Segundo Itamaraty, presidente visitou continente mais vezes que todos os antecessores juntos.

Fabrícia Peixoto, BBC

02 de julho de 2010 | 05h51

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta sexta-feira para uma viagem de dez dias pelo continente africano, praticamente seu último grande giro no exterior antes de deixar o Palácio do Planalto.

O périplo começa por Cabo Verde, onde o presidente chega neste sábado. O roteiro inclui ainda Guiné Equatorial, Quênia, Tanzânia, Zâmbia e, por fim, África do Sul, onde Lula assistirá à final da Copa do Mundo.

Com uma agenda que prevê acordos de pouca expressão, a viagem tem, na verdade, um forte peso simbólico: permitir que o presidente Lula se "despeça" do continente africano, um dos principais alvos de sua política externa.

Essa será a 11ª vez que Lula vai à Africa e, segundo o Itamaraty, o presidente já fez mais viagens ao continente do que todos os seus antecessores juntos.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, esteve em três países africanos em viagens oficiais. Já Fernando Collor foi a quatro países da África durante seu mandato.

Até o final do giro que começa nesta sexta-feira, Lula terá visitado um total de 24 diferentes países africanos desde que assumiu o governo, em 2003.

Parceiro

Especialista na relação Brasil-África, o professor Cláudio Ribeiro, da PUC-SP, diz que os países africanos olham hoje para o Brasil com um misto de "admiração" e "identificação".

"Eles não nos veem como imperialistas, mas sim com uma lógica de que podemos ser parceiros complementares", diz.

Segundo ele, as visitas do presidente Lula permitiram criar a imagem de que o Brasil é "confiável" e tem "legitimidade" para exercer ter um papel de liderança entre os países africanos.

O Brasil, no entanto, não obteve o apoio de países como Uganda, Gabão e Nigéria, na votação que resultou em sanções comerciais ao Irã, durante sessão do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), no mês passado.

Segundo um representante do Itamaraty, o Brasil não tinha a "pretensão" de influenciar os votos dos africanos. "Sabemos a pressão que esses países devem ter sofrido dos países mais ricos. Faz parte do jogo político", diz a fonte.

O deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE) diz que a "fixação" do Brasil por um assento no Conselho de Segurança faz o país ter uma relação "desproporcional" com alguns países, entre eles africanos.

Ainda na avaliação do deputado, o presidente Lula acaba usando essas visitas à África para "se promover" no cenário internacional.

"Por trás disso está sempre a ideia de apresentar o presidente como uma liderança mundial, deixando para trás os interesses do país", diz.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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