Em clima de desânimo, PT busca opções a Palocci

A notícia de que o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, pediu o arquivamento de um dos inquéritos que correm contra o deputado Antonio Palocci (PT-SP) no Supremo Tribunal Federal (STF) foi recebida com otimismo por aliados. Ainda assim, a novidade foi insuficiente para pôr fim ao clima de desânimo que começa a se formar entre apoiadores de uma candidatura do ex-ministro ao governo paulista em 2010.Nas últimas semanas, Palocci freou negociações, preocupado em evitar que o STF se sinta "provocado". Aliados o pressionaram para que desse o sinal verde para as articulações, mas ele continuou irredutível.O procurador requereu arquivamento do inquérito em que Palocci é apontado como suposto beneficiário de um esquema de propinas como prefeito de Ribeirão Preto (SP). Mas permanece a preocupação com o caso da quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa, que lhe custou a cadeira de ministro da Fazenda.Apesar do balde de água fria, petistas elogiaram o parecer. "Prova que houve uma ação política com claro objetivo de prejudicar Palocci quando era ministro da Fazenda", disse o deputado Carlos Zarattini (SP). "É bom para Palocci e para nós, petistas", completou o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP).Palocci é o favorito de Lula e petistas asseguram que, se ele aceitar, tem apoio garantido. Nos últimos dias, entretanto, setores do PT começaram a buscar alternativas, temerosos de que ele opte por ficar de fora. Passaram a dar ênfase, por exemplo, ao prefeito de Osasco, Emidio de Souza, que não esconde o entusiasmo: "Isso reforça a ideia de que o PT não tem um nome natural". Há ainda quem defenda um acordo entre o senador Aloizio Mercadante e a ex-ministra Marta Suplicy, para que um dos dois ocupe a vaga. Já Palocci poderia voltar a integrar o governo. Petistas temem que o STF demore para julgar o episódio do caseiro. Para aliados de Palocci, o clima de incerteza pode levar o Planalto a endossar o ministro da Educação, Fernando Haddad. "Palocci continua um nome forte, capaz de unificar boa parte do PT. Mas não há resistência a outros líderes", amenizou o presidente do PT-SP, Edinho Silva, que reuniu o Diretório Estadual ontem, em Santos (SP). A busca de opções não foi tema da reunião, mas guiou boa parte das conversas de corredor.

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