Em cidades sem candidato petista, tema passa longe

Das 26 capitais, o julgamento do mensalão não foi abordado em 13 delas

O Estado de S. Paulo,

22 de setembro de 2012 | 21h05

Das 26 capitais, o julgamento do mensalão não foi abordado em 13 delas. O julgamento do mensalão passa longe, por exemplo, de capitais nas quais o PT não tem candidato próprio na disputa, como Florianópolis, Palmas, Macapá, Boa Vista, Aracaju e Maceió. 

 

Até mesmo no Rio de Janeiro, onde o candidato do PMDB, Eduardo Paes, foi sub-relator da CPI dos Correios que deu início às investigações do mensalão, o assunto não pegou.

 

Paes conta hoje com o apoio do PT na campanha à reeleição, mas na época era filiado ao PSDB. Mesmo assim, o candidato disse, na última quarta-feira, em entrevista no jornal local da TV Globo, que não mudou as suas convicções e afirmou ter certeza de que o mensalão existiu. Ele, no entanto, isentou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter conhecimento sobre o esquema de compra de votos no Congresso Nacional.

 

O tema também não tem sido abordado onde os petistas estão mal nas pesquisas de intenção de voto, como em Natal, Porto Velho, Campo Grande e Belém. Na capital paraense, nem mesmo o fato de o ex-deputado Paulo Rocha (PT), que é do Pará, ser réu no processo fez os adversários atacarem o candidato do PT, Alfredo Costa.

 

O mal desempenho nas pesquisas seria o motivo: Costa aparece com 2% em um levantamento encomendado esta semana por uma rede de TV.

 

Há também exceções. Em Rio Branco, o petista Marcus Alexandre lidera a disputa municipal, mas, por enquanto, não sofreu ataques envolvendo o mensalão. As críticas por lá concentram-se em questões locais, como denúncias sobre a época em que Alexandre foi diretor do Departamento de Estradas e Rodagens do Acre.

 

Em Teresina, o contexto é outro. O candidato do PSDB, Firmino Filho, que está em primeiro lugar nas pesquisas, não teria utilizado o mensalão contra o PT pois há uma possibilidade de os dois partidos se alinharem no segundo turno. Hoje, o petista Wellington Dias está em terceiro lugar na disputa e deve ficar de fora da próxima etapa. 

 

Segundo o cientista político Celso Roma, essa ausência nas campanhas municipais não surpreende. “Vincular o mensalão, um assunto nacional, a uma eleição onde os temas que interessam são locais, é uma tarefa difícil”, afirmou.

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