Em carta, Vilagra nega acusações e se diz perplexo

Vice-prefeito divulgou carta aberta na qual disse ter recomendado ao prefeito o afastamento dos citados no processo

Tatiana Fávaro, de Agência Estado,

27 de junho de 2011 | 19h59

Em carta aberta divulgada no início desta noite, o vice-prefeito de Campinas (SP), Demétrio Vilagra (PT), manifestou-se pela primeira vez desde que a Promotoria do Estado e a polícia deflagraram, em 20 de maio, uma megaoperação que culminou com a denúncia de sete acusados pelo Ministério Público (MP) dos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e fraudes em licitações. Além de Vilagra, fariam parte da suposta organização criminosa a primeira-dama, Rosely Nassim dos Santos, ex-secretários, ex-funcionários públicos e empresários.

No documento, Vilagra afirma que as denúncias da Promotoria em relação a ele são falsas. O vice-prefeito diz estar perplexo e indignado. "O Ministério Público investiga essas denúncias, segundo informações da imprensa local, desde o ano passado. (...) Desde o início das investigações, manifestei meu apoio irrestrito aos trabalhos dos promotores, acompanhei, assim como vocês, dezenas de pessoas sendo ''convidadas'' a depor. Eu nunca fui convidado nem convocado pelo Ministério Público. Como vice-prefeito, teria prazer em depor a qualquer momento, se convocado. Isto nunca ocorreu", disse.

O petista afirmou ter recomendado ao prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT) o afastamento de todos os citados no processo e, por isso, quando recebeu durante suas férias na Espanha a informação de que estava sendo arrolado como suspeito, pediu afastamento de suas funções na Ceasa. Vilagra informou ter comprado seu pacote de viagem em oito vezes e, mesmo perplexo, ter se apresentado às autoridades. Ele foi preso no dia 26 de maio. "Depois do constrangimento de uma noite no Centro de Detenção Provisória, de uma longa a cansativa viagem e das terríveis tensões decorrentes das informações que chegavam até mim, depus no mesmo dia aos promotores", afirmou.

O vice-prefeito refutou as acusações de ter recebido R$ 20 mil de empresários investigados pelo MP. "Tenho rendimentos provenientes de minha anistia, aposentadoria e salários que justificam plenamente os R$ 60 mil apreendidos em minha residência", disse Vilagra. "Estou, inclusive, solicitando formalmente à Justiça que devolva o dinheiro, pois tenho R$ 104 mil em multas eleitorais a pagar, conforme consta inclusive em meu Imposto de Renda."

Câmara. A Comissão Processante (CP) da Câmara de Vereadores de Campinas, que analisará o pedido de cassação do prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT), vai ouvir na quarta-feira o depoimento de 30 pessoas, entre as quais está indicado o chefe do Executivo da segunda maior cidade do Estado de São Paulo. A CP investiga supostas irregularidades na administração municipal em autorizações para parcelamento do solo (loteamentos), instalações de antenas de telefonia celular no município e em contratos da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A. (Sanasa), alvo da investigação da Promotoria.

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