Em carta, oposição pede que senador se afaste

Embora tenha defendido licença de Sarney em várias ocasiões, PT não assinou manifesto

Vera Rosa e Christiane Samarco, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2009 | 00h00

Em mais um dia de troca de ofensas e bate-boca no plenário, os partidos de oposição enviaram ontem uma carta ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB), pedindo seu afastamento do cargo para a apuração das denúncias contra ele, que vão de nepotismo à contratação de aliados por atos secretos, além do desvio de verbas de uma fundação que leva seu nome. Embora o PT tenha defendido a licença de Sarney em várias ocasiões, o líder do partido no Senado, Aloizio Mercadante (SP), não assinou o manifesto contra o peemedebista. A carta de nove linhas foi subscrita pelo PSDB, DEM, PDT, PSOL e também por senadores de partidos da base aliada, como os dissidentes do PMDB Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcellos (PE),os petistas Tião Viana (AC) e Flávio Arns (PE), além de Renato Casagrande (ES), do PSB.À noite, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) leu o texto na tribuna, diante de Sarney. O documento enfatiza a necessidade do afastamento de Sarney, durante as investigações do Conselho de Ética, "para iniciar a recuperação da dignidade do Senado" e apurar "com credibilidade" todas denúncias.A oposição convidou Mercadante a assinar a carta, mas ele se recusou, sob o argumento de que as últimas notas do partido, sugerindo a licença de Sarney, eram públicas. Na quarta-feira, o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, chamou Mercadante para uma conversa e pediu a ele que não jogasse mais combustível na crise. "Não marchamos com a oposição porque temos divergências históricas", disse Mercadante. "Há setores que querem fazer dessa crise um ataque ao presidente Lula para fragilizar a aliança governista e nós não vamos nos prestar a esse papel." O líder do PT negou que o PSDB e o DEM tenham lhe sugerido para engrossar o coro em favor da renúncia de Sarney. Ao ler a nota na qual a oposição pede a Sarney "um gesto histórico em defesa do Senado e de sua biografia pessoal", Cristovam irritou o peemedebista ao destacar que os aliados dele não queriam a paz. "Eles querem massacrar, destruir e não pensam na história. Pensam apenas na política", bradou.Visivelmente contrariado, Sarney respondeu com ironia: "Obrigado à Vossa Excelência pela sua isenção e pelo zelo que tem com a minha biografia."

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