Em carta, ex-diretora acusa Tuma Júnior

Maria Rosa se diz incompatibilizada com 'direcionamento político'

Vannildo Mendes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

16 de janeiro de 2008 | 00h00

Em carta ao ministro da Justiça, Tarso Genro, e a superiores, a ex-diretora-geral do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) Maria Rosa Guimarães Lola disse que renunciou ao cargo no início da semana como conseqüência de politização imposta ao órgão pelo secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior. Ela e a ex-diretora-adjunta Carolina Yume se dizem incompatibilizadas com o direcionamento político de Tuma Júnior.Um dos principais e mais eficientes sistemas de rastreamento de dinheiro brasileiro em circulação irregular no exterior, a DRCI alimenta diversas investigações dentro e fora do Brasil, com dados sigilosos de movimentações financeiras consideradas suspeitas, incluindo de políticos e empresários. As renúncias de Maria Rosa e Carolina ocorreram depois que reportagem da revista Veja indicou a formação de dossiês por parte de Tuma Júnior, a quem é atribuída a frase que teria sido dita aos demissionários: "Eu quero saber de todos os casos que envolverem políticos, para poder cobrar a fatura depois."Em um trecho da carta ao ministro, a diretora demissionária diz: "Tenho a convicção de que o secretário precisa de liberdade para impor seu direcionamento político e seu sistema de administração, relacionando-se com seus departamentos como melhor lhe parecer."Mais adiante refere-se a Tuma Júnior: "Entendo que o direcionamento político e o sistema de gestão com os quais sempre trabalhei no DRCI se apresentam inadequados para V. Sa. (...) Me parece haver clara indicação, externada por meio dos mais recentes atos da SNJ, de incompatibilidade entre a minha concepção de departamento e aquela da secretaria."Tuma Júnior foi nomeado para o cargo em setembro, numa operação política que envolveu a transferência de seu pai, o senador Romeu Tuma (SP), para a base aliada do governo. O secretário nega a acusação. Ele garantiu ao governo que jamais proferiu tal frase. "Entrego meu cargo se alguém provar que disse tal absurdo", enfatizou.A Assessoria Jurídica do Ministério da Justiça estuda abrir sindicância para investigar a suspeita de uso político do cargo e de tentativa de aparelhamento do DRCI, segundo informou o secretário-executivo da pasta, Luiz Paulo Barreto Teles. Apesar disso, ele já tem opinião sobre o caso: "A acusação é claramente improcedente e o ministério tem plena confiança na competência e integridade do secretário."

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