Em carta de resposta a Obama, Lula fala de Israel e Haiti

Presidente procurou ampliar diálogo iniciado por missiva enviada pelo presidente americano no domingo

Denise Chrispim Marin e Lisandra ParaguassÚ, enviadas especiais,

26 de novembro de 2009 | 19h09

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva incluiu dois novos temas - o conflito Israel-Palestino e a cooperação Brasil- Estados Unidos no Haiti - no diálogo que espera manter, por carta, com o presidente americano, Barack Obama. No último domingo, 22, Obama enviou uma carta a Lula na qual apresentou os pontos de vista de sua administração sobre uma lista de quatro tópicos avaliados de forma diferente pelo governo brasileiro.

 

Veja também:

linkGarcia diz que postura dos EUA incentiva golpe preventivo

 

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a resposta do presidente Lula foi enviada nesta quinta-feira, 26, a Washington. Insistente na versão de que a troca de missivas não reflete uma situação de conflito entre os dois países, o chanceler argumentou que o tom adotado nas duas cartas trocadas foi "extremamente amistoso" e que esse gesto deverá fomentar o "diálogo compreensivo" já existente entre os dois países.

 

Ciente do mal-estar provocado pelo vazamento do conteúdo da carta de Obama a Lula, que provocou queixa de autoridades americanas ao Itamaraty, Amorim esquivou-se de expor os pontos de vista expressos no documento enviado. "A correspondências (diplomáticas) têm de ser mantidas com reserva", alegou.

 

O chanceler apenas citou o acréscimo das impressões de Lula sobre suas conversas recentes com os presidentes de Israel, Shimon Peres, e da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

 

Segundo Amorim, Lula mencionou ainda a necessidade de fortalecer a cooperação entre os EUA e o Brasil para a construção de obras de infraestrutura no Haiti.

 

Em sua carta, Obama tratara de quatro temas de relevância na agenda multilateral e nas políticas externas de Washington e de Brasília - os debates sobre mudança climática, a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), a questão nuclear iraniana e a crise política de Honduras. O texto foi enviado na véspera da visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

 

Na correspondência, Obama valorizou o diálogo que Lula tenta iniciar com o governo iraniano. Também pediu que transmitisse a Ahmadinejad sua mensagem de que posição dos EUA sobre a questão nuclear mudou de forma real e que abordasse as questões de direitos humanos e de cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

 

Honduras

 

O recebimento da carta de Obama foi confirmada no início da semana pelo assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia. Em entrevista no Itamaraty, Garcia disse que a política do governo Obama para a América Latina tinha "gosto de decepção". Segundo o assessor, Lula e o Itamaraty não concordavam com a abordagem dos Estados Unidos para a crise de Honduras.

 

Na carta enviada a Lula, o presidente americano argumentava que a realização de eleições no país centro-americano serviria para zerar a crise política gerada pelo golpe de Estado que tirou o presidente Manuel Zelaya do poder.

 

"Nossa preocupação é que introduzam a tese do golpe preventivo na América Latina", declarou Garcia nesta quinta-feira.

Tudo o que sabemos sobre:
LulacartaBarack Obamadiplomacia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.