Ricardo Stuckert
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Em carta de Natal, Lula pede que militância não tema 'valentões'

Ex-presidente escreveu ainda que o tempo da oposição vai passar e que a mensagem de Jesus, de amor, fraternidade e esperança, deve prevalecer

Nayara Figueiredo e Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

25 Dezembro 2018 | 11h59

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma carta de Natal para seus apoiadores na noite da segunda-feira, 24, pedindo para que eles sigam fortes, sem temer intimidações. "O ódio pode estar na moda, mas não temam nem se impressionem com essas pessoas posando de valentões", afirmou. A mensagem foi lida pelo ex-prefeito de São Bernardo do Campo Luiz Marinho (PT), em frente à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR), onde Lula está preso desde abril após ter sido condenado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. 

Na noite de segunda, dezenas de apoiadores do ex-presidente se aglomeraram em frente ao local para desejar feliz natal ao presidente. Lula passou a noite sem direito a visitas especiais ou comidas diferentes. A alimentação foi composta por arroz, feijão, salada e um tipo de carne. Do lado de fora, a militância organizou uma ceia coletiva e gritou "feliz Natal, presidente". A organização do evento informou que pelo menos 500 pessoas participaram. 

De acordo com o ex-presidente em sua carta, o tempo da oposição vai passar e a verdadeira mensagem de Jesus, "um marceneiro que foi perseguido pelos vendilhões do templo, pelos soldados e pelos promotores dos poderosos", vai continuar a ecoar em cada Natal. Segundo ele, é uma mensagem de amor, fraternidade e esperança. "A luta por um mundo melhor continua", acrescentou.

Lula lembrou ainda que, neste Natal, ele não poderá estar junto de sua família, filho e netos, mas acredita que não está sozinho. "Estou com vocês da vigília, que têm sido minha família", afirmou na carta. Lula também agradeceu a companhia dos militantes e considerou uma "provação" a escolha feita por seus apoiadores de enfrentar dias de frio e calor no Paraná. 

Leia na íntegra a carta do ex-presidente

"Meus amigos e minhas amigas,

O Natal é a época do ano em que lembramos com mais força da vinda de Jesus, dos ideais de solidariedade e bondade cristãos. Nos aproximamos da família e dos amigos, celebramos juntos, nos abraçamos e reunimos força para o ano seguinte.

Esse Natal não poderei estar junto fisicamente com a minha família, meus filhos e netos. Mas não estou sozinho. Estou com vocês da vigília, que tem sido minha família, e com todos aqueles que vieram passar esse Natal junto de vocês.

Quero agradecer a companhia que tem me feito a cada dia, todo o dia, durante essa provação, no frio do inverno do Paraná ou no calor que tem feito esses dias.

Sigamos fortes. O ódio pode estar na moda, mas não temam nem se impressionem com essas pessoas posando de valentões. O tempo deles vai passar e a verdadeira mensagem de Jesus, um marceneiro que foi perseguido pelos vendilhões do templo, pelos soldados e pelos promotores dos poderosos, vai continuar a ecoar em cada Natal: uma mensagem de amor, fraternidade e esperança. A luta por um mundo melhor continua.

Feliz Natal".

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