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Em carta de demissão, Henrique Eduardo Alves diz não querer causar constrangimento para o governo

No documento publicado na tarde desta quinta-feira, 16, o ex-ministro afirmou que 'todas as ilações' envolvendo seu nome serão esclarecidas e que vai enfrentá-las com serenidade e transparência

Carla Araújo e Tânia Monteir, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2016 | 18h22

BRASÍLIA – O agora ex-ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), afirmou, em carta de demissão endereçada ao presidente em exercício Michel Temer que pensou muito antes de tomar a “difícil decisão” de deixar o cargo, mas avaliou que “o momento nacional exige atitudes pessoais em prol de um bem maior”. “Não quero criar constrangimentos ou qualquer dificuldade para o governo, nas suas próprias palavras, de salvação nacional”, afirmou, ressaltando que o PMDB foi “chamado para tirar o Brasil da crise”. 

O peemedebista disse ainda estar seguro de que “todas as ilações” envolvendo o seu nome serão esclarecidas. “Confio nas nossas instituições e no nosso Estado Democrático de Direito. Por isso, vou me dedicar a enfrentar as denúncias com serenidade e transparência nas instâncias devidas”, disse. 

Alves, que ocupou a pasta do Turismo na gestão da presidente afastada Dilma Rousseff de 16 de abril de 2015 a 28 de março de 2016, destacou que o turismo reúne as melhores condições para ajudar o Brasil a enfrentar o momento difícil que vive. “Esta foi a motivação que me levou a voltar ao comando do Ministério depois de tê-lo deixado por uma questão política, de coerência partidária”, afirmou, ressaltando a importância da pasta para os Jogos Olímpicos.

A Temer, Alves agradeceu a “lealdade, amizade e compromisso de uma longa vida política e partidária” e disse que estará sempre ao lado do presidente em exercício. “Sabendo que sempre estaremos juntos nessa trincheira democrática em busca de uma nação melhor. A sua, a minha, a nossa luta continuam. Pelo meu Rio Grande Norte e pelo nosso Brasil”, escreceu. .

 

Saída. Alves é o terceiro ministro da gestão Temer a deixar o cargo. Antes dele, os ministros Romero Jucá, que ocupava o Planejamento, deixou o cargo dia 23 de maio, e Fabiano Silveira, na pasta da Fiscalização, Transparência e Controle, pediu demissão 30 de maio. As duas quedas também estavam relacionadas a Operação Lava Janto. 

A gota d'água para a saída de Alves foi a nova revelação sobre a delação do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado ao Ministério Público Federal, no âmbito da operação Lava Jato.

O ex-presidente da Transpetro diz ter pago a Henrique Alves R$ 1,55 milhão. Alves já estava na mira do governo por conta do acúmulo de notícias negativas contra o peemedebista e interlocutores do presidente em exercício já pressionavam pela sua saída, alegando que a permanência dele no cargo, contrariava a fala de Temer de que, surgindo denúncias, a autoridade atingida deveria pedir demissão do cargo.

As denúncias de Sérgio Machado, no entanto, atingem grande parte da cúpula do PMDB e até o presidente Temer que, mais cedo, convocou a imprensa para rebater as denúncias e acusá-las de criminosas, mentirosas e irresponsáveis. Temer, que está "muito irritado" com as acusações, chegou a dizer que "alguém que teria cometido aquele delito irresponsável que o cidadão Machado apontou não teria até condições de presidir o país".

A saída de Henrique Alves serve como uma espécie de válvula de escape para Temer, que estava sendo alvo de críticas por manter o ministro do Turismo no cargo. Com isso, seria uma espécie de 'vão-se os anéis e ficam os dedos'. 

 

Veja a integra da carta de demissão:

Brasília, 16 de junho de 2016.

Excelentíssimo Senhor Presidente Michel Temer,

 

O momento nacional exige atitudes pessoais em prol do bem maior. O PMDB, meu partido há 46 anos, foi chamado a tirar o Brasil de uma crise profunda. Não quero criar constrangimentos ou qualquer dificuldade para o governo, nas suas próprias palavras, de salvação nacional. Assim, com esta carta entrego o honroso cargo de Ministro do Turismo.

Estou seguro de que todas as ilações envolvendo o meu nome serão esclarecidas. Confio nas nossas instituições e no nosso Estado Democrático de Direito. Por isso, vou me dedicar a enfrentar as denúncias com serenidade e transparência nas instâncias devidas. 

Pensei muito antes de tomar esta difícil decisão, porque acredito que o Turismo reúne as melhores condições para ajudar o Brasil a enfrentar o momento difícil que vive. Esta foi a motivação que me levou a voltar ao comando do Ministério depois de tê-lo deixado por uma questão política, de coerência partidária.

Acredito ter honrado os desafios do setor no pouco mais de um ano que estive no Ministério do Turismo. Registramos conquistas importantes como a isenção de vistos para países estratégicos durante a Olimpíada e Paralimpíada, a redução do imposto de renda para o turismo internacional e a execução de obras de infraestrutura turística em todas as regiões, para citar alguns exemplos. 

Presidente Michel, agradeço à sua sempre lealdade, amizade e compromisso de uma longa vida política e partidária, sabendo que sempre estaremos juntos nessa trincheira democrática em busca de uma nação melhor. A sua, a minha, a nossa luta continuam. Pelo meu Rio Grande Norte e pelo nosso Brasil.

 

Respeitosamente,

Henrique Eduardo Alves

 

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