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Em carta, Cunha rebate Joesley e cita reunião para tratar de impeachment

Deputado cassado diz que empresário mentiu ao não citar encontro com Lula para discutir afastamento de Dilma

Marianna Holanda, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2017 | 21h11

O deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) se defendeu nesta segunda-feira, 19, das acusações feitas pelo empresário da JBS, Joesley Batista, em entrevista à edição da revista Época desta semana. Em carta redigida da cadeia onde está preso em Curitiba, Cunha citou um encontro entre ele, Joesley e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no ano passado, para desmentir o empresário. O dono do frigorífico disse ter encontrado Lula em apenas duas ocasiões: uma em 2006 e outra em 2013.

"Ele (Joesley Batista) fala que só encontrou o ex-presidente Lula por duas vezes em 2006 e em 2013. Mentira! Ele apenas se esqueceu que promoveu um encontro que durou horas no dia 26 de março de 2016, Sábado de Aleluia na sua residência, entre eu, ele e Lula, a pedido de Lula, para discutir o processo de impeachment (de Dilma Rousseff)", diz a carta. Cunha afirmou que, no encontro, pôde "constatar a relação entre eles e os constantes encontros que mantinham".

Segundo o ex-presidente da Câmara, sua versão pode ser comprovada com o testemunho dos agentes de segurança da Casa, que o acompanharam, além da locação de veículos em São Paulo.

Na entrevista, Joesley fala da compra de silêncio de Cunha e de chantangem ao empresário no valor de R$ 5 milhões para que o deputado não levasse adiante uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Casa para investigar a empresa de Joesley. O dono da JBS também afirmou que tornou-se “refém” de Cunha e do corretor Lúcio Funaro – a quem ele deveria supostamente pagar uma “mesada” para não correr o risco de delação.

Cunha diz que “repudia com veemência as acusações” e desafia Joesley a comprová-las. “Hoje fica claro que ele mente para obter benefícios pelos seus crimes, ficando livre da cadeia, obtendo uma leniência fiada, mas desfrutando dos seu bilionários bens a vista”, diz.

O peemedebista encerra a carta enumerando os supostos benefícios da JBS com o governo, citando a Medida Provisória (MP) do Refis e a da Leniência com o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários.

“É estranho que mesmo atacando o governo, ele ainda seja o maior beneficiário de medidas do governo, tal como a MP do Refis, em que ele, como maior devedor da Previdência do País, vai poder pagar os bilhões que deve em 15 anos, com descontos e ainda usando créditos podres”, disse Cunha. O deputado questiona, então, de onde viria o “poder” de Joesley, que, segundo diz, “mente, ataca o governo e ainda se beneficia dos atos do governo, que o deixam mais rico e impune”.

 

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