Em carta, Battisti acusa cinco por crimes na Itália

Ex-extremista reitera sua inocência, acusa ex-colegas do PAC pelos quatro assassinatos e pede liberdade

Vannildo Mendes, O Estadao de S.Paulo

31 de janeiro de 2009 | 00h00

Em carta de próprio punho, o escritor e ex-extremista italiano Cesare Battisti negou ontem ter cometido os quatro assassinatos pelos quais foi condenado em seu país e atribuiu os crimes a cinco colegas que militavam com ele no grupo guerrilheiro Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Leia a íntegra da carta de Cesare BattistiDesses, quatro seriam os responsáveis pela morte do joalheiro Pierluigi Torregiani. "Sabemos pela autoridade da Itália que os autores são as seguintes pessoas: Memeo, Fatone, Masala e Grimaldi, todos colaboradores da Justiça arrependidos", diz ele, referindo-se a ex-militantes que fizeram acordo de delação premiada.Em outro trecho da carta, de quatro páginas, Battisti delata como o quinto envolvido nos crimes o nome de Pietro Mutti, um dos chefes do grupo subversivo e seu principal acusador. "Ele foi extremamente torturado e por isso pediu o benefício da lei dos arrependidos", observa. Battisti lamenta "a imensa dor" que as mortes causaram em seu país, reafirma sua condição de "perseguido político" por ter pertencido ao PAC, mas garante que não se envolveu em execuções.Diz ainda que o tiro que deixou paraplégico Alberto Torregiani, filho do joalheiro, foi disparado "do revólver do próprio pai", quando este reagiu ao atentado. Os outros homicídios atribuídos a Battisti são os de Antonio Santoro, carcereiro suspeito de maltratar presos políticos, fuzilado em Udine, em 6 de junho de 1978; Lino Sabbadia, açougueiro, morto em Udine, em 16 de fevereiro de 1979 ; e Andrea Campagna, policial, morto em Milão, em 19 de abril de 1979. Battisti alega que a morte de Sabbadin ocorreu quase na mesma hora do assassinato de Torregiani, em Milão, a mais de 200 quilômetros de distância. Garante que foi condenado à revelia num processo viciado e diz esperar a confirmação do seu status de refugiado político, concedido pelo Brasil há duas semanas pelo ministro da Justiça, Tarso Genro. Espera "viver em liberdade" com a família os "últimos anos de vida".Ele alegou que seus advogados de confiança foram presos na época em que atuavam nos processos e depois "foram fabricadas três falsas procurações" para outros advogados que teriam atuado de modo inadequado. "Não sou responsável por nenhuma das mortes."Ele se diz "abalado emocionalmente" por continuar preso. "Desde que soube da concessão do refúgio político no Brasil e sigo preso, a ansiedade, a tensão e o nervosismo me acompanham", relata o ex-extremista.

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