Em carta a servidores, Marina diz que está 'fechando um ciclo'

No texto, ministra demissionária reconhece que houve 'erros, acertos e muito aprendizado' durante sua gestão

Marcelo de Moraes, de O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2008 | 17h38

Logo depois de entregar o cargo de ministra do Meio Ambiente,  Marina Silva mandou uma carta de despedida para os servidores do Ministério, do Ibama, da Agência Nacional de Águas, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, do Instituto Chico Mendes e do Serviço Florestal Brasileiro. Num texto de duas páginas, ao qual a Agência Estado teve acesso, ela comunica que tinha entregue sua carta de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, agradece a colaboração dos servidores e afirma que estava "fechando um ciclo", "no qual enfrentamos muitas dificuldades, mas colhemos resultados gratificantes".   Veja Também: Saiba quem é Carlos Minc, chamado para o lugar de Marina Fórum: opine sobre a atuação da ministra no cargo  Do seringal ao ministério: a trajetória de Marina  Veja galeria de fotos da ministra no governo Íntegra da carta de demissão de Marina Silva Cotado para lugar de Marina, Jorge Viana encontra Lula Nomeação de Mangabeira teria sido a gota d'água Mangabeira nega divergência com Marina Silva Antes de sair, Marina fez duras críticas aos biocombustíveis Veja os ministros que deixaram o governo Lula  Especial: Amazônia - Grandes reportagens      No texto, Marina reconhece que houve "erros, acertos e muito aprendizado" durante sua gestão. Mas afirma acreditar que cumpriu a missão a que se propôs quando assumiu o Ministério em 2003.   "Com erros, acertos e muito aprendizado, acredito que conseguimos nos guiar pelas quatro diretrizes traçadas quando aqui chegamos: a busca do desenvolvimento sustentável, do controle e participação social, do fortalecimento do Sisnama (Sistema Nacional do Meio Ambiente) e da política ambiental integrada pela prática da transversalidade".   Numa espécie de prestação de contas ao quadro de funcionários ligados à pasta, Marina afirma que não conseguiu "dar a atenção que pretendia" aos servidores de todos os órgãos ligados ao Ministério, "dada a intensidade da agenda de que são testemunha". Mas diz que "procurou fazer o possível" para valorizar os servidores "por meio de aumento salarial, enquadramento na carreira funcional, informatização e reforma das instalações físicas, realização de concursos públicos e reorganização das equipes de licenciamento".   Acrescenta ainda que seu trabalho de reorganização da pasta levou justamente à "reestruturação do ministério, feita com o objetivo de aproximar mais o organograma das necessidades de nossas ações e programas, levou à criação da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, da Secretaria de Mudanças Climáticas, do Instituto Chico Mendes e do Serviço Florestal Brasileiro".   Marina diz confiar que a ação dos servidores garantirá a continuidade de seu trabalho à frente do Ministério pelo seu sucessor. "Assim como nossa gestão incorporou avanços de gestões anteriores, estou certa de que nosso trabalho terá continuidade sobretudo pela ação de vocês, servidores, os agentes verdadeiramente capazes de internalizar a política ambiental que melhor sirva o País".   E avisa que manterá seu trabalho da área ambiental na sua volta ao Congresso Nacional, onde reassumirá seu mandato de senadora. "Continuaremos em contato, agora que voltarei ao Congresso Nacional, na busca da sustentabilidade política fundamental para a consolidação da agenda de desenvolvimento sustentável", diz.

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