Em carta a senadores, Casseb explica compra de ingressos

O presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, enviou hoje a senadores aliados do governo e da oposição cópia da carta que encaminhou à Comissão de Ética Pública na tentativa de esclarecer a compra, pela instituição, de ingressos para o show da dupla Zezé di Camargo e Luciano, realizado em 13 de julho na churrascaria Porcão. Os recursos arrecadados no espetáculo seriam destinados à compra da nova sede do PT em São Paulo. A carta aos senadores não evitou, porém, que a oposição apresentasse hoje requerimento pedindo o comparecimento de Casseb à Comissão de Controle e Fiscalização (CFC). Ele limitou também a esclarecer o episódio do show, mas não fez referências às denúncias de sonegação fiscal, objeto de outros requerimentos do PSDB e PFL. Casseb enviou o documento por sugestão do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) que, desde a semana passada, está articulando o comparecimento de Casseb e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Casseb diz, na carta, que o ?evento nasceu por iniciativa comercial e não por demanda partidária? e que não tinha conhecimento prévio de que se destinaria a beneficiar o PT. ?Todavia, ao tomar conhecimento deste fato, a difícil operacionalização não permitiu uma imediata reversão do mesmo?, afirmou. Ele explicou que, no mês de julho, fez diversas viagens pelo Brasil e que estivera em Brasília apenas nos dias 01,05,06,12,13 e saiu de férias no dia 14. Ele ressaltou que tomou conhecimento do show na tarde do dia 13 ( dia do espetáculo). Informou que assistiu ao show mas com ingresso ?não adquirido pelo banco, o que pode ser comprovado, uma vez que todas as 70 mesas compradas pelo BB, estavam localizadas juntas em região diversa do salão?. Casseb esclareceu que, ao retornar das férias ? no dia 26 de julho ? soube da polêmica dos ingressos. Dois dias depois, a churrascaria Porcão devolveu os recursos ao BB e que, no dia 28, deu entrevista coletiva assumindo a responsabilidade como presidente da instituição. Ele incluiu na carta as medidas que estaria tomando para evitar outros episódios dessa natureza. Entre elas, a inclusão na Política Geral do Banco de dispositivo que veda o financiamento de eventos promocionais que beneficiem partidos políticos; redução as alçadas do Comitê de Administração da Diretoria de Marketing privilegiando o Comitê de Comunicação que passa a ter como integrante também o diretor de controles internos. A Diretoria de Marketing terá de encaminhar mensalmente relatório mensal ao Comitê de Comunicação e a exigência de uma declaração formal do beneficiário de que os recursos para promoção e patrocínio não se destinam a financiar evento promocional que beneficie partido político. Casseb enfatizou que essas sugestões foram feitas pelo próprio Diretor de Marketing, Henrique Pizzolato.

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