Em Campinas, PT E PSB travam primeiro embate de olho em 2014

Diretório petista proibiu filiados de ocuparem cargos no governo de Jonas Donizette (PSB); prefeito tenta aproximação com Dilma Rousseff

Ricardo Brandt, O Estado de S. Paulo

17 de dezembro de 2012 | 18h11

CAMPINAS - A relação do PSB com o PT em Campinas - maior colégio eleitoral do interior de São Paulo - serve de prévia para sentir como será tensa a relação entre os dois partidos, aliados no governo federal, até 2014. Enquanto o prefeito eleito do PSB, Jonas Donizette, tenta atrair petistas para sua base e demonstrar boa relação com a presidente Dilma Rousseff, o diretório municipal do PT baixou uma resolução em que proíbe filiados de ocupar cargos de confiança no novo governo.

Em documento aprovado pelo partido, o filiado que descumprir a ordem será submetido à comissão de ética, podendo ser expulso da legenda. Em Campinas, o PSB se coligou com o PSDB e derrotou no segundo turno das eleições, com 57,69% dos votos válidos, o candidato do PT, Márcio Pochmann, que teve 42,31% dos votos. Seu nome foi indicado e apoiado pessoalmente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No palanque do prefeito eleito subiram o presidente do PSB, governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB) - todos, nomes fortes para enfrentar o PT na sucessão presidencial, em 2014.

"O PT em Campinas reafirma que nosso papel será de oposição. Não há possibilidades na cidade de uma aproximação com o governo do PSB local, que representa o PSDB", afirmou o presidente do diretório municipal, Ari Fernandes.

O prefeito eleito do PSB tem usado a aliança entre seu partido e o PT, no governo federal, para atrair os petistas de Campinas para a base de governo. Ele chegou a se reunir com o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, em Brasília, para lembrar seu papel de aliado no Congresso, onde é deputado federal, e pedir o apoio da presidente Dilma.

"Não estou desprezando o PT de Campinas, mas tenho uma relação política com o governo federal e fui buscar institucionalmente o apoio do governo Dilma. O ministro deixou claro que haverá portas abertas", afirmou o prefeito eleito, sobre a conversa com Carvalho. O município tem mais de 120 convênios, que somam R$ 2 bilhões, com o governo federal e que estão parados.

"Lembrei inclusive que fui alvo de ataques no primeiro turno exatamente por ter dado apoio ao governo federal", afirmou Jonas.

Durante a campanha, o candidato foi acusado pelos adversários de ter votado contra o aumento do salário mínimo - em referência à proposta da oposição que foi rejeitada pela base aliada.

Discussão. "Não vamos aceitar qualquer tipo de orientação que venha do partido nacionalmente em relação a essa questão", afirmou o presidente municipal do PT. Segundo ele, o partido fará oposição programática, e não ideológica, ao governo. "O diretório decidiu que nenhum integrante do partido deve permanecer como cargo de confiança no governo. Até os petistas que estão nessa administração do atual prefeito Pedro Serafim (PDT) já estão sendo alvo de processo disciplinar", afirmou Fernandes.

Ele disse ainda que o PT local pediu ao diretório nacional que inclua Campinas nas discussões sobre como será o comportamento do partido em relação às quatro capitais onde a legenda foi derrotada por um adversário do PSB (Belo Horizonte, Recife-PE, Fortaleza e Cuiabá, devido ao tamanho da cidade e a importância que tomou a disputa local no cenário político nacional.

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