Em Campinas, Lula diz que 'tucano é bicho político predador'

Ex-presidente fez comício pela campanha de Márcio Pochman, em segundo lugar nas pesquisas de intenções de voto

Ricardo Brandt, de O Estado de S. Paulo

28 de setembro de 2012 | 21h15

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 28, em Campinas (SP) que "tucano é um bicho político predador", durante um comício do candidato a prefeito da cidade Márcio Pochmann (PT). Em cima de um carro de som transformado em palanque, ele afirmou que a "oposição olha com ódio" para o PT porque imaginava que "o metalúrgico ia fracassar" e que "uma mulher não saberia governar o país".

"Essa cidade que sempre votou contra tucano, sabe que tucano é um bicho político predador", afirmou Lula, lembrando que em 1989, 1994, 1998, 2002, 2006 e em 2010 - com Dilma Rousseff -, ele teve votação expressiva em Campinas. "E cidade sempre votou em pessoas de esquerda."

Ao lado de Pochmann, que foi uma indicação pessoal de Lula para a disputa em Campinas, ele lembrou que o candidato foi um dos técnicos do partido que ajudaram a criar o programa Bolsa Família, para defender que foram os intelectuais petistas que sustentaram o bom desempenho de seus governo. "É por conta dessas pessoas que aprenderam nas universidades é que a gente conseguiu fazer o governo extraordinário que fizemos", afirmou Lula. "É por isso que nossos adversários nos olham com tanto ódio. É porque eles imaginam que o metalúrgico ia fracassar, e o o metalúrgico não fracassou. Imaginavam que uma mulher não saberia governar, e a mulher mostrou que sabe governar", completou o ex-presidente.

A presença de Lula em Campinas, única cidade do interior paulista onde ele compareceu nesse primeiro turno, se deve a escolha de Pochmann para a disputa, após o PT local se envolver no maior escândalo de corrupção da prefeitura local, no governo do prefeito cassado Hélio de Oliveira Santos (PDT), que teve como vice o petista Demétrio Villagra.

Ambos acabaram cassados no ano passado, após o Ministério Público e a polícia levaram 11 para a cadeia e denunciarem para a Justiça 28 membros do núcleo do governo PDT/PT.

Lula citou a crise em seu discurso para cerca de 2 mil pessoas que acompanharam o carro de som por onde o ex-presidente desfilou pelo centro da cidade. "Essa cidade sofreu nos últimos anos no processo eleitoral aqui. Eu sei que a decepção que vocês tiveram no passado, a quantidade de denúncias, a cassação do prefeito, a cassação do vice prefeito", afirmou.

Segundo ele, não vale a pena votar em qualquer um e recorreu a Deus para defender o voto em Pochmann. "Graças a Deus a vida não é assim.

Deus quando permite que a gente viva uma crise, ele dá para a gente a oportunidade de resolver aquela crise encontrando um caminho melhor, algo melhor e sobretudo uma pessoa melhor", disse Lula.

O ex-presidente fez questão de elencar os investimentos do governo federal em seu governo em Campinas e citou as obras de ampliação de Viracopos - que serão feitas após sua concessão, em fevereiro deste ano - e a construção do trem de alta velocidade (TAV), ligando Campinas, São Paulo e Rio, como conquistas da boa relação entre a prefeitura local e o governo federal.

O ex-presidente mandou também um recado para o candidato a prefeito do PSB na cidade, Jonas Donizette, líder nas pesquisas, que usa em seus programas eleitorais a aliança do seu partido com o governo Dilma e o governo Lula. "Eu não conheço os outros candidatos, se conheço, faz de conta que não conheço. Até o dia 7, todos eles são adversários".

Depois de desfilar em um carro de som, pelas ruas do centro, Lula voltou para São Paulo, onde participa neste sábado de dois comícios em apoio ao candidato do PT, Fernando Haddad.

Crescimento. Pochmann subiu dez pontos e assumiu a segunda posição na terceira pesquisa Ibope, divulgada na noite desta sexta-feira, 28. Pochmann chegou a 18% das intenções de voto, depois de partir de 1%, em junho, para 8%, no começo de setembro. O líder nas pesquisas, Jonas Donizette (PSB), caiu de 50% para 42%, o que deve por fim às chances de uma vitória no primeiro turno na cidade. O prefeito Pedro Serafim (PDT), que tinha 12% das intenções de voto na última pesquisa, subiu para 15%, mas mesmo assim foi superado pelo candidato petista. Dos três principais nomes da disputa em Campinas, Pochmann tem o menor índice de rejeição, 15% disseram não votar nele de jeito nenhum. Pedro Serafim tem rejeição de 34% do eleitoral e Jonas, 23%. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP), sob o número SP-01245/2012.

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