Em campanha por Jobim, Cabral reúne governadores no Rio

Os sete governadores do PMDB reúnem-se na próxima terça-feira, 27, no Rio, em um movimento que pode definir a disputa interna pela presidência do partido e, conseqüentemente, a interlocução com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A reunião foi convocada pelo governador Sérgio Cabral, para preparar o encontro geral de governadores com Lula dia 6 de março. Cabral está em campanha aberta para fazer do ex-ministro Nelson Jobim (RS) o próximo presidente do PMDB. Jobim disputará contra o atual presidente, deputado Michel Temer (SP), na convenção nacional marcada para 11 de março. Lula condicionou na última quinta-feira o anúncio da reforma ministerial à decisão sobre o comando do partido. São praticamente nulas as chances de que o PMDB saia unificado de mais esse confronto interno, mas Lula espera que o vencedor conquiste autoridade suficiente para falar em nome de uma maioria sólida. O PMDB tem 91 deputados e 20 senadores. "O presidente não quer apenas saber qual será a ala vitoriosa do PMDB, quer que ela represente a maioria do partido na coalizão e no Congresso", disse um ministro político que conversou com Lula sobre o tema. Apoios divididos Além de Sérgio Cabral, Jobim conta com o apoio de Marcelo Miranda (TO) e Eduardo Braga (AM). Temer é apoiado por André Puccineli (MS). Paulo Hartung (ES) e Luiz Henrique (SC) pregam um entendimento. Roberto Requião (PR) não declarou apoio ainda. A posição dos governadores deve influir também na indicação do futuro ministro da Saúde. Cabral trabalha pelo ex-presidente do Instituto Nacional do Câncer (Inca), José Gomes Temporão. Temer defende que seja um deputado do PMDB, provavelmente Osmar Terra (RS). Temer, que se aproximou do governo depois da reeleição de Lula, esperava chegar à convenção com o apoio de dois novos ministros indicados pela bancada do PMDB na Câmara, onde seu grupo é mais forte. Além da Saúde, seu grupo tenta obter a Integração Nacional, atualmente com o PSB. A estratégia sofreu um revés com a decisão de Lula de só fechar a reforma ministerial depois da convenção do maior partido do Congresso e da coalizão governista de 11 legendas. A decisão de Lula favoreceu o grupo do PMDB no Senado, que entrou para o governo em 2005 e ocupa os ministérios de Minas e Energia (Silas Rondeau) e das Comunicações (Hélio Costa). O presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e o ex-presidente José Sarney (AP) apóiam Jobim contra Temer. "Não acredito que o presidente Lula esteja tentando interferir na disputa interna do PMDB", disse o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), aliado de Temer. Novo presidente Preocupado com a possibilidade de um enfrentamento direto com o Planalto, Temer conteve aliados que ameaçaram retaliar o Planalto no painel de votações. As medidas provisórias que compõem o PAC começam a tramitar no plenário a partir de segunda-feira. "Nossa bancada está bastante madura e não reagiria dessa maneira", disse o líder Henrique Alves. Temer também desautorizou um movimento para adiar a convenção. Uma convocação confirmando a data (11 de março) e o local (Centro de Convenções Ulysses Guimarães em Brasília) foi publicada nesta sexta-feira na página oficial do PMDB na internet. O novo presidente do PMDB será escolhido por um colégio de 564 convencionais (deputados, senadores, membros do diretório nacional e do conselho do partido e delegados dos Estados). Como alguns convencionais têm mais de uma função, os votos possíveis são 782 no total. As maiores sessões partidárias são Rio de Janeiro (77 votos), Minas Gerais (66 votos), Paraná (65 votos), Rio Grande do Sul (52 votos), Pará (51 votos), Ceará (50 votos), Santa Catarina (49 votos) e São Paulo (43).

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