Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Em 'campanha' por embaixada nos EUA, Eduardo volta a visitar senadores

Deputado federal afirmou que quer mostrar "um Eduardo um pouquinho diferente" e disse que análise de sua indicação não atrapalhará a tramitação da Reforma da Previdência no Senado

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2019 | 12h19

BRASÍLIA - Em campanha pelo Senado, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) declarou que quer mostrar "um Eduardo um pouquinho diferente" na busca por ter seu nome aprovado para a embaixada brasileira em Washington e que a indicação não deve afetar a votação da Reforma da Previdência na Casa. Ele destacou que a pauta comercial do Brasil com os Estados Unidos tem sido o tema mais recorrente nas conversas com senadores.

"São conversas particulares, eu converso com eles, eles demonstram interesse para saber se eu tenho as qualificações necessárias para assumir o cargo. É o momento para mostrar o Eduardo um pouquinho diferente do que por vezes sai na imprensa, enfim, conhecer eu como eu sou", disse o deputado após visita ao gabinete do senador Jorginho Mello (PP-SC), nesta quinta-feira, 22.

O nome de Eduardo ainda não foi encaminhado pelo pai, o presidente Jair Bolsonaro, ao Senado. Para ser efetivada, a nomeação precisa de aval da Casa. Aliados do deputado avaliam que a indicação deverá ser oficializada no mês que vem - ainda durante a discussão da reforma da Previdência no Senado.

Eduardo tentou afastar o impacto de sua indicação na tramitação reforma. "Não. Não tem nada a ver", disse quando questionado se a indicação contaminaria a reforma da Previdência no Senado. "Os senadores vão fazer juízo se eu sou merecedor ou não e ponto final. Outra questão é tributária, reforma da Previdência, armas, enfim, acho que não tem comunicação de uma coisa com a outra, não", declarou o deputado.

O filho "03" aposta no perfil do Senado para que a agenda econômica do governo não seja obstruída pela discussão sobre a embaixada. A oposição, afirmou, vai usar "qualquer artifício" para tentar emperrar as propostas do Planalto, mas não teria sucesso ao esbarrar no compromisso dos parlamentares da Casa. "Normalmente o perfil dos senadores é um perfil mais experiente, são ex-governadores, eu acredito que isso aí não venha a comunicar uma coisa com a outra não." 

O grupo favorável ao nome do deputado na embaixada avalia que o ambiente para a aprovação melhorou nos últimos dias e calcula que o placar na Comissão de Relações Exteriores seja atualmente de nove votos a favor de Eduardo contra sete. Três parlamentares estariam indecisos, o que poderia inverter o placar. Depois do colegiado, a indicação ainda dependerá de uma votação no plenário.

Levantamento exclusivo feito pelo Estado na semana passada mostrou que, no momento, 29 senadores se posicionam contra a indicação de Eduardo, enquanto que 15 são favoráveis. Para a aprovação, é preciso que a maioria simples do plenário - 41 senadores - vote a favor. 29 não quiseram responder à reportagem e sete se disseram indecisos.

Cotado para a relatoria da indicação na comissão, o senador Chico Rodrigues (DEM-RR) também negou que o tema contamine a reforma da Previdência. "Zero. Uma coisa não tem relação com a outra. A questão do Eduardo é política, não é simplesmente de indicação para o posto de embaixador. Deveria haver uma interpretação política mesmo por parte dos senadores e ver a importância do posto", declarou Rodrigues ao Broadcast Político.

Para o filho de Jair Bolsonaro, os senadores têm interesse na relação comercial entre os dois países e querem impulsionar a geração de emprego. Eduardo declarou que, se possível, estará com o presidente da República na Assembleia Geral da ONU, em setembro, nos Estados Unidos.

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