Em campanha no interior, Dirceu prega redução de juros

O ministro da Casa Civil, José Dirceu, disse nesse domingo que o governo tem trabalhado para criar as condições para que os juros caiam. Dirceu esteve neste domingo na cidade de Americana, no interior paulista, para apoiar a candidatura do representante do partido na cidade, Antonio Mentor, à prefeitura. Apesar de falar sobre juros, o ministro preferiu não se antecipar à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). "Quem sabe, quem tomará a decisão é o Copom, porque tem inclusive autonomia para isso. Eu só quero analisá-la depois que o Copom adotá-la", afirmou. Dirceu alegou que a taxa precisa cair para que o governo possa reduzir os gastos com pagamento de juros de dívida, estimados este ano em quase R$ 100 bilhões. "É preciso reduzir para R$ 80 bilhões, R$ 60 bilhões, R$ 40 bilhões", disse. O ministro acrescentou que o juro real no País, de 10,5%, é "altíssimo", mas argumentou que há fatores como a situação internacional e pressões inflacionárias que interferem na taxa Selic. "Política fiscal é importante, ela deu condições inclusive para o País voltar a crescer. A política monetária também é porque nós não podemos deixar a inflação voltar".Dirceu afirmou, entretanto, que a política de desenvolvimento dogoverno Lula vai além da política monetária e fiscal. "O que eu disse equero repetir é que não será aumento ou redução de juros que fará com que o País deixe de crescer. O Brasil tem condições de continuarcrescendo. Agora quem decide taxa é o Banco Central", disse.Segundo o ministro, o Brasil deverá "alcançar uma reserva de US$ 40 bilhões, US$ 60 bilhões nos próximos anos", e que as exportações deverão atingir R$ 100 bilhões este ano, "um marco histórico", segundo ele. Contrapartida nos programas sociaisDirceu afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer rapidez no cumprimento das contrapartidas do programa bolsa-família e fiscalização efetiva do programa. Ele disse que Lula pediu à Casa Civil que coordene uma ação interministerial envolvendo os Ministérios da Educação, Saúde e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. O ministro exaltou o avanço do programa, citando queatingirá 6,5 milhões de famílias até o final deste ano. "A fraudediminuiu muito, os custos, bastante", alegou. Segundo ele, as famíliasrecebem em média três vezes mais que recebiam antes da implantação do programa, "um dos maiores do mundo". Mas Dirceu acrescentou que é preciso estimular e fiscalizar o cumprimento das contrapartidas, como o controle da freqüência das crianças na escola, assistência à saúde das famílias e alfabetização dos adultos, além de geração de emprego e renda.

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