Adriana Ferraz/ESTADÃO
Adriana Ferraz/ESTADÃO

Em busca de apoio, Alckmin ‘exporta’ bombas usadas na crise hídrica

Governador paulista já autorizou quatro empréstimos de equipamentos da Sabesp para combater a seca na Paraíba, Pernambuco, Ceará e Sergipe, além do Distrito Federal

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2017 | 17h56

O governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) assinou nesta seguda-feira, 11, o quarto termo de empréstimo de equipamentos da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para ajudar a combater a seca em Estados nordestinos como Paraíba, Pernambuco e Ceará, além do Distrito Federal desde dezembro do ano passado. Desta vez, o governo de Sergipe foi o contemplado, com dois conjuntos de bombas flutuantes, cada um com capacidade de bombear até 2 mil litros de água por segundo, cedidos à Companhia  de Saneamento de Sergipe (Deso) por um período de seis meses e sem custos. De olho em 2018, o tucano tem intensificado a troca de experiências com possíveis aliados. No cardápio oferecido por Alckmin estão ainda projetos na área de concessões, turismo, previdência complementar, vacinas e desenvolvimento sustentável.

Em busca de apoio interno e externo para disputar a corrida presidencial do ano que vem, a celebração de convênios com outros governos e mesmo a União, por meio do Ministério da Integração Nacional, abre duas possibilidades muito bem-vindas. A primeira é a chance de mostrar a eleitores de outros Estados, especialmente os do Nordeste, que São Paulo é exemplo de gestão de sucesso, tendo capacidade para desenvolver tecnologia capaz de enfrentar até a crise hídrica. A segunda é a oportunidade de viajar pelo País para ‘checar’ o funcionamento dos equipamentos emprestados e dos projetos desenvolvidos em conjunto.

As parcerias firmadas via Sabesp já proporcionaram ao governador paulista, por exemplo, visitar o eixo leste da obra de transposição do Rio São Francisco, no interior de Pernambuco, ao lado do ministro da integração nacional, Helder Barbalho, no fim de fevereiro. Já os convênios assinados com 14 centros estaduais de saúde para compartilhar estudos da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan abriram as portas de diversas capitais para o tucano, que já acompanhou testes no Distrito Federal e Rio Grande do Sul, por exemplo.

Após passar mais de uma hora conversando com o governador de Sergipe, Jackson Barreto (PMDB-SE), sobre a seca no Nordeste, Alckmin afirmou ontem que a cessão dos dois conjuntos de bomba é uma forma de “retribuir aos sergipanos que ajudam a construir o Estado de São Paulo”. Ele ainda aproveitou para destacar que São Paulo adquiriu uma boa tecnologia quando enfrentou a crise hídrica, com equipamentos de grande potência para retirar água em reservatórios com nível baixo, o chamado volume morto.

Em entrevista coletiva, Barreto, a quem Alckmin chamou de “colega”, agradeceu ao tucano e afirmou que os equipamentos são tratados por enquanto como uma medida de prevenção. “Acho que o governador Alckmin demonstrou sentimento de solidariedade com os sergipanos e nordestinos. Estamos vivendo um momento de muita dificuldade com a adutora que leva água a Aracaju. Esses equipamentos são uma medida de prevenção. Se não houver chuva até novembro, eles vão ajudar a não deixar a população desabastecida”, afirmou.

Estratégia. Diferentemente do prefeito João Doria (PSDB), que tem viajado a outros Estados para participar de eventos corporativos, dar palestras e receber títulos honorários de Câmaras Municipais, a estratégia de Alckmin para se projetar nacionalmente é expor a experiência adquirida por ele após 13 anos à frente do governo paulista.

Além da Sabesp e do Butantan, Alckmin tem usado como vitrine o programa de concessões implementado em São Paulo há mais de 20 anos – no caso das rodovias – e a fórmula adotada para reduzir a longo prazo o gasto com pagamento de aposentadorias a partir da criação do programa complementar da Previdência dos servidores estaduais.

Na disputa com Doria pela indicação do PSDB, tantos anos no governo ainda vão lhe render outras vantagens: até abril de 2018, Alckmin promete inaugurar 21 estações do Metrô, um novo sistema de abastecimento de água (São Lourenço) e o braço norte do Rodoanel. Parte das obras é prometida desde a penúltima campanha eleitoral do tucano, em 2010.

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