Em Bruxelas, Dilma nega que reajuste para aposentados tenha motivação eleitoral

Candidata à Presidência defendeu PT de acusações sobre dossiê contra Serra.

Marcia Bizzotto, BBC

17 de junho de 2010 | 19h42

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, negou nesta quinta-feira que a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de sancionar o reajuste de 7,7% para aposentados e pensionistas que ganham acima de um salário mínimo tenha sido motivada por questões eleitorais.

Em Bruxelas, onde esteve por algumas horas para uma rápida reunião com o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, a petista defendeu que Lula decidiu sancionar o reajuste com base em dois critérios.

"Primeiro, o critério maior, que é o de preservar o crescimento do país e toda a população do país assegurando estabilidade macroeconômica. O segundo: ele tem sensibilidade social. Não há ninguém que desconheça esse fato", afirmou.

Acusações

Dilma também respondeu às acusações do ex-delegado da Polícia Federal Onézimo Sousa, que alega ter sido procurado por integrantes de sua campanha para produzir um dossiê contra o candidato do PSDB à Presidência, José Serra.

"Era interessante que, se há isso, ele mostre. O que é verdade é que o PT e a minha campanha não contrataram nenhuma pessoa, não fizeram contato com esse delegado, e todos os documentos que porventura sejam colocados, se existirem esses documentos, não foram produzidos por nós", assegurou.

Segundo a candidata, tanto o jornalista Luiz Lanzetta, ex-assessor de comunicação de sua pré-campanha, como os outros dois intermediários citados por Sousa não foram autorizados a falar em nome do PT.

"Eles não estavam contratados por nós, não falavam em nosso nome, não têm autorização para falar no nosso nome. O PT não pode se responsabilizar pelo que faz uma empresa", insistiu, recordando que Lanzetta era proprietário de uma agência de comunicação contratada para a campanha petista.

Taxação bancária

Um dos temas tratados pela candidata com o presidente do Executivo europeu foi a decisão tomada nesta quinta-feira pelos governantes da União Europeia de criar um imposto sobre operações bancárias, a fim de que as instituições financeiras "ajudem a pagar por seu salvamento" na eventualidade de uma nova crise econômica, segundo palavras de Barroso.

A ideia será defendida pela UE na próxima reunião do G20, nos dias 26 e 27 de junho, em Toronto, Canadá.

"Temos uma posição diferenciada a esse respeito e ele (Barroso) sabe perfeitamente", disse Dilma.

"Utilizamos requisitos de capital muito mais elevados, temos um compulsório dos mais elevados em relação ao mundo, então achamos que nós não temos que pagar por aqueles que tiveram uma prática bancária mais flexível, muito frouxa", argumentou.

Por outro lado, a candidata petista disse concordar com a necessidade de "buscar práticas melhores no que se refere à regulação bancária e à governança econômica", com uma maior participação dos países emergentes em instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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