Em Brasília, manifestantes usam adesivo 'A culpa é das estrelas'

Um adesivo na cor vermelha com a frase "A culpa é das estrelas" foi a sensação dos protestos na capital federal. Os manifestantes disputaram os adesivos que utilizava o nome do filme americano de 2014, que fez muito sucesso no Brasil entre o público jovem, para ironizar duplamente o PT, que governa o País desde 2003 e tem a estrela como seu símbolo principal, e a presidente Dilma Rousseff.

MURILO RODRIGUES ALVES E ADRIANA FERNANDES, Estadão Conteúdo

15 de março de 2015 | 15h13

Ao longo do percurso entre o Museu da República e o Congresso Nacional, os adesivos foram distribuídos e colados nas camisetas, em sua maioria, amarelas. Muitos dos presentes usavam as camisetas da seleção brasileira e bandeiras originalmente compradas para a Copa do Mundo. A reportagem do jornal O Estado de S.Paulo não identificou camisetas e bandeiras de partidos políticos.

Foram recorrente menções à corrupção na Petrobras. Algumas apoiavam o juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processo da operação Lava Jato, que investiga os desvios na estatal. Houve também quem levasse recados ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, relator do processo no STF, e Antonio Dias Toffoli, que na última semana se transferiu para a 2.ª turma, onde serão julgados os eventuais réus da Lava Jato. "Fora Toffoli. Eu sei o que você fez no mensalão passado", dizia uma das faixas.

De acordo com a servidora pública Fabiane Freitas, a presidente "nunca tem conhecimento de nada, nunca sabe de nada". Segundo ela, Dilma sempre coloca a "culpa" na crise internacional para justificar medidas impopulares, como o tarifaço de energia, o aumento do preço do combustível e a inflação alta. O fato de o governo afirmar que desconhecia os casos de corrupção na Petrobras é outro alvo das críticas por trás da escolha do adesivo.

João Carlos de Souza, também funcionário público, não quis informar quem bancou a confecção dos adesivos. Segundo ele, o grupo contou com o apoio financeiro de "importantes empresários do DF". Ele também criticou os casos de corrupção na petroleira, o déficit nas contas do governo e os financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O advogado José Mendonça, de 52 anos, trouxe a mesma bandeira que usou nas manifestações pelo impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Melo, em 1992. "Eu era um dos cara-pintadas e hoje trago minha mulher e meus três filhos para pedir reforma política. Se a insatisfação contra o governo Dilma Rousseff chegar ao pedido de impeachment, por que não? Ninguém aguenta mais ser governado pela presidente", afirmou.

O empresário Rivanaldo Gomes de Araújo comprou 120 camisas a R$ 12 e distribuiu aos funcionários dos oito postos de gasolina que possui para ajudar no movimento "Limpa Brasil". Já o garçom de um buffett em Brasília, Elismar Passos, aproveitou a manifestação para vender o que sobrou do estoque de bandeiras e camisetas que tinha comprado para revender na Copa do Mundo. As camisetas custava R$ 20 e a bandeira grande, R$ 50.

"Não estou aqui para fazer protestos, mas para ganhar um dinheirinho", afirmou. Ele, porém, também criticou o preço da gasolina que subiu no segundo mandato. "Nem trabalhar de carro vou mais. Tenho que pegar o ônibus", disse. Ele trabalha mora no Riacho Fundo, cidade-satélite de Brasília, e trabalha na zona central.

O cabo do exército Rodrigo Goes, de 24 anos, comprou uma camisa que estampava "Fora Dilma. Chega de corruptos". Mesmo sendo militar, ele não se intimidou em ir ao protesto à paisana e fazer críticas à "impunidade no País". Ele também criticou o aumento de preços.

A adolescente Cristiane Nazaré, de 15 anos, estava acompanhada do pai e da irmã mais nova. Eles compraram ao longo da semana perucas que também eram estoque da Copa do Mundo. Ela disse que protestava por melhores serviços públicos na área de Saúde. "O Brasil tem tudo para crescer mas os políticos corruptos não deixam", afirmou.

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