Em Brasília, eleitores dizem esperar governo 'ainda melhor' que o de Lula

Cerimônia de posse de Dilma Rousseff também foi acompanhada por simpatizantes da oposição.

Rafael Spuldar, BBC

01 de janeiro de 2011 | 22h15

Professoras viajaram de Ponta Grossa e Curitiba (PR) para ver a posse

Das cerca de 15 mil pessoas que foram à Praça dos Três Poderes ver a posse da presidente Dilma Rousseff, grande parte portava bandeiras ou vestia camisetas do PT.

A BBC Brasil ouviu de militantes - além de pessoas sem vínculo partidário - suas opiniões sobre a nova presidente e o seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

As professoras Vera, Marisa, Rosane e Maria saíram de Ponta Grossa e de Curitiba, no Paraná, para assistir à posse em Brasília, integrando um grupo de sindicalistas da área da educação pública.

Marisa definiu a cerimônia da posse como "emocionante" e disse ter a melhor das expectativas com o governo da petista. Na opinião de Rosane, Lula preparou o terreno para sua sucessora fazer um governo "ainda melhor".

Vera, por sua vez, diz esperar que Dilma cumpra a promessa feita em seu discurso e governe para todos os brasileiros. Da fala da presidente, Maria prefere ressaltar a importância dada ao ensino, sua área de atuação. "A educação é a base de tudo", disse.

O funcionário público Waldemar Azevedo, que saiu de Belém (PA) e passou o Ano Novo na capital federal somente para ver a posse de Dilma, diz ser um militante de esquerda desde a época da ditadura. Vestindo uma camiseta do PT, ele afirma que contribuiu para esse momento, pois fez campanha para a petista durante a eleição.

"Dilma pode ser melhor do que Lula. Depende de nós, do povo estar mobilizado", diz. Para ele, a posse de Dilma representa uma vitória das mulheres e dos "avanços da sociedade brasileira". "A sociedade avança mais na direção do nosso sonho", afirma.

Lula

"Lula é um mito, vai deixar uma lacuna", opina o educador Deusdete Oliveira, 38 anos, morador de Goiânia (GO). Mesmo assim, para ele, Dilma mostrará com o tempo que conseguirá substituir um presidente que deixa o cargo com 87% de popularidade.

Oliveira, que faz parte de um movimento em prol da economia solidária que mobilizou cerca de 300 pessoas de diferentes Estados para ver a posse, afirma que a nova presidente pode ser melhor que o antecessor, por ter uma "grande capacidade técnica".

Acompanhado de um grupo de alunos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o professor de literatura Eduardo de Assis Duarte, 60 anos, destaca a inclusão social como grande marca do governo Lula. "Essas são pessoas que nunca foram levadas em conta", diz.

"É a força da maioria, mas uma maioria que não é homogênea, e sim marcada pela diversidade".

Mas Duarte não lamenta a saída de Lula. O professor comemora o fato do ex-presidente ter resistido à "mosca azul do terceiro mandato".

Para ele, o momento mais marcante da posse foi o tom amistoso do cumprimento entre Dilma e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton. "E a Hillary sem dúvida ainda vai ser presidente dos Estados Unidos", completa.

Outros eleitores

Mesmo com o mar de bandeiras vermelhas e pessoas identificadas com o PT, a Praça dos Três Poderes também recebeu eleitores de outros partidos. O empresário gaúcho Leandro Ceccato, 42, viajou a Brasília para passar o Réveillon com amigos e, mesmo tendo votado no PSDB nas duas últimas eleições, resolveu ver a posse de perto.

"Vim viver este momento importante, independentemente da convicção política", afirma. "É a oportunidade de vivenciar um momento que simboliza a democracia".

Para Ceccato, devido a seu perfil, Dilma terá dificuldade para fazer conciliações políticas para conduzir o seu governo. O gaúcho - que votou em Lula em 2002 - afirma que o ex-presidente fez um trabalho importante. "Ele teve os seus desgastes, mas, no todo, o país está tendo um progresso".

O comerciante Alexandre Carreiro, de 43 anos, saiu com a família de Poranga (CE) para passar a virada do ano com parentes em Brasília. Ele afirma que, embora tenha votado em Lula em suas duas eleições, não deu seu voto para Dilma neste ano. "A democracia é isso", diz ele, sobre o fato de conferir de perto a transmissão do cargo.

Mesmo se dizendo simpatizante do PSDB, Carreiro declara sua torcida para que Dilma faça um bom governo, com um olhar especial para o Nordeste do país.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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