Em Brasília, 30 mil pessoas assistem a parada de R$ 2,5 mi

Em Alagoas, policiais civis em greve entraram em confronto com PMs e desfile acabou sendo suspenso

Felipe Recondo, Lígia Formenti, Tania Monteiro, Cristiane Samarco, Sonia Filgueiras, Gabriela Gasparin e Ricardo Rodrigues, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2008 | 00h00

Com gastos maiores e diante de um público menor e mantido à distância, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou ontem o desfile de 7 de Setembro, em Brasília. A cerimônia custou aos cofres públicos R$ 2,5 milhões, R$ 1 milhão a mais do que o gasto no ano passado.Apartadas dos palanques de autoridades, tendo que se acomodar na metade final da Esplanada dos Ministérios, cerca de 30 mil pessoas - 5 mil a menos do que no ano passado e 15 mil a menos do que o esperado - assistiram ao desfile com pouca animação. Quase não havia bandeiras, cartazes ou manifestações, seja de críticas ou apoio. A exceção ficou por conta da arquibancada reservada para familiares e convidados de militares.Integrantes da União Nacional das Esposas de Militares das Forças Armadas afixaram cartazes lembrando o mensalão, vaiaram Lula e provocavam integrantes da Polícia Federal durante o desfile: "Prendam os 40 ladrões."As poucas vaias não chegaram a ser ouvidas no palanque das autoridades. "Eu ouvi a vaia. Todo ano tem", afirmou o bancário Josué Alencar, que chegou à Esplanada às 7 horas, acompanhado por seus filhos João, de 11 anos, e Mateus, de 14. "Não ouvi. Se tivesse ouvido, faria igual. O presidente Lula acha que redescobriu o Brasil. Para ele, há dois momentos. Antes e depois de ele assumir. Agora, tudo é bom. E nada do que antecessores fizeram prestou", afirmou o bancário Márcio Amaral, de 34 anos.Entre os poucos que se animaram a protestar estavam Ana Regina, professora do Colégio Militar de Brasília, e Ademir Simões, bancário. "Fora Renan. Fora mensaleiros. Sanguessugas na Nação brasileira. Assinado: O Povo", dizia o cartaz empunhado pelo casal. Em frente ao Palácio da Alvorada, logo após assistir ao desfile, Lula fingiu acelerar uma moto inspirada na arquitetura de Brasília, em homenagem a Oscar Niemeyer, que completará 100 anos em dezembro. A moto foi fabricada pela família Teutul, dona da companhia americana especializada na produção de motos estilizadas Orange County Choppers (OCC). Lula recebeu os Teutul para um churrasco. O presidente ganhou um capacete e uma jaqueta calculados em US$ 300, que serão doados ao programa de combate à fome.DESFILE SUSPENSOEm Maceió, grevistas ligados ao Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol), ao Movimento Unificado da Saúde e à Central Única dos Trabalhadores (CUT) invadiram a pista perto do palanque do governador Teotônio Vilela Filho (PSDB) e fizeram um protesto. Após rápido confronto entre os manifestantes e policiais militares, que davam segurança às autoridades, o governador deu ordem ao cerimonial para suspender o desfile, na Praia da Avenida, que mal começara. Moradores de bairros distantes e até de cidades do interior ficaram revoltados com o fim da festa. Alguns responsabilizaram os manifestantes. Outros culparam o governo. "Essa gente não tinha outra hora para protestar? Tinha que protestar logo durante o desfile em defesa da pátria?", questionou o comerciante Humberto Mota. O vice-presidente do Sindpol, Josimar Melo, disse que os manifestantes queriam apenas participar do desfile. "Nossa intenção não era cancelar o evento, apenas queríamos passar pelo desfile. Não era preciso cancelar a festa cívica, o governador se precipitou", afirmou.À tarde, Vilela mandou suspender as negociações com os policiais civis, em greve há mais de 30 dias, e o porte de arma dos grevistas. Na quinta-feira, os policiais já haviam protestado em frente ao Palácio República dos Palmares, sede do governo. "Não satisfeito, esse mesmo grupo compareceu ao desfile de 7 de Setembro para promover a desordem e colocar em risco a integridade física das pessoas que participavam das comemorações em homenagem ao Dia da Independência. Por isso mandei suspender o desfile para evitar que alguém se machucasse."Em São Paulo, cerca de 30 mil pessoas foram ao Anhembi, segundo a Polícia Militar, para comemorar os 185 anos de independência do Brasil. "É muito bonito. Venho desde quando as celebrações aconteciam na Avenida Tiradentes. Sou brasileiro, com orgulho", afirmou o aposentado Floriano Frederico Passioni, de 72 anos.

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