Em BH, Fernando Henrique nega que PSDB seja 'muito Avenida Paulista'

Ex-presidente também classificou como 'expressão muito forte' a tese de 'refundação' do partido proposta por Aécio Neves

Eduardo Kattah/BELO HORIZONTE , O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2010 | 22h46

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso refutou nesta segunda-feira, 22, a ideia de que o PSDB seja um partido predominado por lideranças paulistas, o que chamou de um "slogan" da oposição, que não encontra respaldo na realidade. Fernando Henrique também classificou como "uma expressão muito forte" a tese de "refundação" do partido proposta pelo ex-governador mineiro e senador eleito, Aécio Neves.

 

Fernando Henrique participou no início da noite do 1º Fórum da Liberdade de Minas Gerais, organizado pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE). Antes de proferir a palestra de encerramento do evento, ele foi questionado se o PSDB não seria "muito Avenida Paulista". O ex-presidente lembrou que o partido saiu vitorioso em oito estados do País.

 

"Isso é slogan que a oposição coloca para marcar. O PSDB teve 44% da população, você acha que isso é Avenida Paulista? Não é verdade. Isso é simplesmente uma repetição de política eleitoreira. Se fosse assim, eu não teria sido eleito presidente", reagiu.

 

O ex-presidente distribuiu elogios tanto para José Serra quanto para Aécio, destacando que "não adianta ficar revolvendo o passado" sobre quem seria o melhor presidenciável tucano. Depois de minimizar o fato de não ter aparecido nos programas eleitorais da campanha presidencial tucana, FHC contou que assistiu no domingo ao show de Paul McCartney ao lado do ex-governador de São Paulo.

 

"Aécio tem uma capacidade política extraordinária. Ele vai mostrar agora no Senado essa imensa capacidade política que ele tem e eu espero que ele seja bem sucedido. E o Serra mostrou que tem uma energia fantástica também", ressaltou. "Tem condições ainda. É muito cedo para pensar o que vai acontecer daqui a quatro anos."

 

Sobre a possibilidade de uma nova hegemonia no partido, o ex-presidente disse que está "fora de cena há muito tempo" e que Aécio e o governador eleito do Paraná, Beto Richa, representam sim a nova geração tucana. Mas salientou que não pretende "sair de cena das ideias".

 

Para FHC, ao invés de refundação, o termo mais adequado seria renovação. Segundo ele, o PSDB precisa aprender a fazer política no dia a dia e não somente no período eleitoral. "E se articular com a sociedade. Agora, refundação é forte. Todos os partidos, num certo sentido, estão todo o tempo se renovando. É preciso mesmo que se renovem. Mas refundação acho que é uma expressão muito forte."

 

Herança - Fernando Henrique aproveitou para rebater a recente declaração da presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), que afirmou que receberá uma "herança bendita", ao contrário do legado deixado pelo governo do tucano para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Ninguém acredita nisso. É jogo político simplesmente. O que foi maldito foi o último ano do meu governo, o Lula que assustou os mercados financeiros. Foi só isso. A Dilma sabe disso. Ela usa isso simplesmente por espertezinha política."

 

Liberdade - Na palestra - cujo tema era Liberdade e Política, o ex-presidente apontou uma tendência "muito grande" de "fortalecimento do poder e da comunicação" oficial no Brasil. "Esse espírito de liberdade muitas vezes fica a perigo, exatamente porque nós não temos tido a força suficiente para chamar a atenção para o que está acontecendo em termos da monopolização da informação, do poder, etc. E crescentemente, a tendência é dizer: 'Não, falta controlar mais. Não tem controle social'", afirmou. "Nós estamos vendo também que há uma cooptação até dos movimentos sociais."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.