Em BH, candidatos de PT e PSB traçam estratégias de campanha

Patrus Ananias (PT) e Marcio Lacerda (PSB) ainda não iniciaram corpo a corpo com eleitores

Marcelo Portela, de O Estado de S. Paulo

11 de julho de 2012 | 18h50

Ainda sem participar de corpo a corpo com eleitores, os dois principais candidatos na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte, o ex-ministro Patrus Ananias (PT) e o prefeito Marcio Lacerda (PSB), que tenta ser reeleito com apoio do PSDB, têm priorizado encontros políticos para traçar estratégias de campanha. Um dos principais objetivos é elaborar meios de distinguir os candidatos aos olhos do eleitorado, já que os petistas participaram da administração da capital até o racha com os socialistas, formalizado na convenção de 30 de junho.

Apesar de apenas nesta semana ter se iniciado o desligamento de petistas dos cargos na prefeitura, a campanha do partido deve atacar áreas como Saúde e Trânsito, gerenciadas por tucanos desde que Lacerda assumiu o Executivo municipal. Já o PSB deve focar em promessas de "reformulação" e melhorias de programas como o Orçamento Participativo, encampados pelo PT, que há 20 anos participava diretamente da administração da capital.

"Não vamos fazer uma campanha desmerecendo trabalho dos outros. Nossa identidade política é do PSB", afirmou o prefeito, que participou de almoço com vereadores no início da tarde de ontem (11). "(Mas) tudo que dura 15, 20 anos precisa ser atualizado", acrescentou o socialista, ressaltando que é necessário o engajamento dos parlamentares municipais para "desinfetar" processos que se tornaram "infecciosos" ao longo deste período.

No mesmo horário, Patrus e seu candidato a vice, o ex-deputado peemedebista Aloísio Vasconcellos, se reuniram com as bancadas do PT e PMDB na Assembleia mineira para, segundo o petista, "construir de maneira democrática" a campanha. Assim como Lacerda, o petista negou que a busca pelo voto será focada em ataques.

Patrus deve explorar programas federais e sua experiência de sete anos à frente do Ministério do Desenvolvimento e Combate à Fome durante a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "A cidade teve avanços. Não vamos negar isso. Também (com) o prefeito Marcio Lacerda, que durante certo tempo teve o apoio do PT. Uma das grandes características do nosso governo, a partir do presidente Lula, foi esse apoio aos governos estaduais e federais. Mas nós queremos fazer mais e melhor", declarou o candidato.

Dissidências. Outra estratégia definida ontem foi a criação de um "conselho" para evitar dissidências entre integrantes dos partidos que apoiam a candidatura petista. No fim do ano passado, parte dos parlamentares do PMDB cedeu a pressões do governo estadual, comandado pelos tucanos, e saiu da aliança que mantinha com o PT e PCdoB na Assembleia, o que levou ao fim do bloco de oposição na Casa. "O conselho será para que todos possam participar. Já faz parte dessa união", afirmou Aloísio Vasconcellos. Ele ressaltou que usará a experiência de 1998, quando coordenou a campanha do então candidato Itamar Franco (PMDB), que derrotou, com o apoio do PT, o governador Eduardo Azeredo (PSDB), candidato à reeleição.

Já Lacerda pediu aos vereadores "parceria" na campanha e na Câmara da capital, onde o petista Tarcísio Caixeta informou sua saída da liderança do governo, que, de acordo com o prefeito, exerceu "com lealdade e o mais elevado espírito público", inclusive após o racha entre os partidos. Em discurso, Lacerda ressaltou o "esvaziamento" da base de apoio pediu que os vereadores "coloquem seus apoiadores nesse processo".

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