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Preso em Bangu, Cabral divide cela com ex-assessores e ex-secretários

Ex-governador foi detido no âmbito da Operação Lava Jato e transferido para o presídio, onde teve os cabelos cortados e usa uniforme igual a dos demais detentos

Clarissa Thomé e Mariana Sallowicz, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2016 | 14h12

RIO - Dono de uma cozinha equipada ao custo de R$ 43 mil, conforme registros da Operação Calicute, e acostumado a frequentar restaurantes requintados, o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) teve à sua disposição, ontem, café com leite e pão com manteiga no café da manhã, além de um prato de arroz com feijão e picadinho no almoço.

As refeições são o padrão da Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, que integra o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, zona oeste do Rio, para onde Cabral foi levado na noite de quinta-feira, 17. 

Ao ser preso pela PF, na manhã do mesmo dia, Cabral chorou. Chegou abatido ao presídio, mas resignado. Inicialmente, foi conduzido para outra unidade dentro do complexo penitenciário, a Cadeia Pública José Frederico Marques, inaugurada por ele mesmo em março de 2011. Lá, teve os cabelos cortados, recebeu camiseta verde, calça azul e chinelos, uniforme dos detentos em Bangu.

Mas é na Pedrolino Werling, conhecida como Bangu 8, que Cabral passou a noite. A unidade, inaugurada em 2006 na gestão de Rosinha Garotinho, é chamada de Cadeia VIP por causa dos seus últimos inquilinos.

Passaram por ali banqueiros como Salvatore Cacciola e André Esteves, Carlinhos Cachoeira, os milicianos Jerônimo Guimarães, o Jerominho (ex-vereador) e Natalino Guimarães (ex-deputado), e Nelson Nahin, irmão do ex-governador Anthony Garotinho – condenado em esquema de exploração sexual de menores e liberado em outubro, por habeas corpus. Os presos costumam receber alimentação de fora do presídio. Já houve denúncias de que estariam recebendo de lagosta a bacalhau. 

A unidade tem 154 vagas, e 130 estão ocupadas. As celas estão divididas das galerias de A a G. Nas galerias A e B ficam os presos por não pagarem a pensão alimentícia. De C a G ficam os detentos com nível superior. Cabral está numa cela de 16 metros quadrados, com três beliches de alvenaria, com colchonetes, na Galeria F. A cela tem ainda o “boi”, sanitário no chão, e chuveiro sem água quente. 

Segundo informações de agentes penitenciários, a Galeria F, usada anteriormente para triagem dos detentos que chegam à noite, foi separada para os presos da Calicute e recebeu uma rápida arrumação, na tarde de quinta-feira. A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (SEAP) negou. 

Companhias. O ex-governador tem a companhia de seu ex-secretário de Obras, Hudson Braga, apontado como operador financeiro do esquema de propinas, de Paulo Fernando Magalhães Pinto, amigo próximo e suspeito de atuar como “laranja”, de Carlos Emanuel Miranda, ex-assessor e sócio de Cabral na empresa SCF Comunicação. Casado com uma prima de Cabral, é apontado como “ coletor do dinheiro”, de acordo com investigadores. 

Estão na mesma cela ainda José Orlando Rabelo, ex-assessor de Hudson Braga, e Luiz Paulo Reis, apontado como operador financeiro do esquema.

Os presos têm direito a tomar banho de sol, têm acesso a um pátio de visitantes com cobertura para proteger da chuva, setor de psicologia, ambulatório médico e odontológico, além de salas para defensoria pública. 

Ontem, os presos não receberam visitas, informou a SEAP. As famílias vão ter de se cadastrar para receber a carteirinha que dá acesso à unidade. Esse documento leva de 30 a 40 dias para ficar pronto.

Com a internação de Anthony Garotinho (PR) no fim da noite de anteontem em um hospital penal no Complexo de Gericinó, o Rio de Janeiro teve, por algumas horas, dois ex-governadores presos no sistema penitenciário de Bangu. Ontem à noite, uma decisão do TSE determinou que ele fique em um hospital público ou privado fora do sistema penitenciário. 

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