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Em áudio, Queiroz diz ter plano para arrumar ‘bagunça’ do PSL

Ex-assessor de Flávio Bolsonaro afirma querer assumir o partido, que ‘nunca vai trair o cara’ e se queixa de abandono

Francisco Carlos de Assis e Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2019 | 14h51
Atualizado 28 de outubro de 2019 | 10h06

SÃO PAULO E RIO - Em áudios de WhatsApp, o policial aposentado Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), revela ter planos para “lapidar” o que ele chama de “bagunça” no diretório regional do PSL no Rio, até agora comandado por Flávio Bolsonaro. “Resolvendo essa pica que está vindo na minha direção, se Deus quiser vou resolver, vamos ver se a gente assume esse partido aí. Eu e você de frente aí. Lapidar essa porra”, afirmou ele ao interlocutor. 

Enviados a interlocutor não identificado, os áudios foram repassados à Folha de S. Paulo por uma fonte que pediu para não ser identificada. O ex-assessor diz ainda que “nunca vai trair” o “chefe”. “Politicamente, eu só posso ir para partido. Trabalha isso aí com o chefe aí. Passando essa ventania aí, ficamos eu e você de frente. A gente nunca vai trair o cara. Ele sabe disso. E a gente blinda, a gente blinda legal essa porra aí. Espertalhão não vai se criar com a gente”, disse o ex-assessor de Flávio.

Ao mesmo tempo, em outro trecho do áudio, Queiroz se queixa de ter sido abandonado pelo grupo político que elegeu o presidente Jair Bolsonaro no enfrentamento da investigação que o Ministério Público Estadual (MPE) move contra ele e o senador. O policial também relata que o MPE teria “uma pica do tamanho de um cometa” para “enterrar” nele e num interlocutor não identificado.

A investigação contra ele e Flávio está paralisada desde meados de julho, quando o ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal, mandou suspender processos que tenham usado dados de órgãos de fiscalização sem autorização judicial prévia. O plenário da Corte pode reverter a medida e fazer com que o caso volte a andar.

Para a defesa de Queiroz, representada pelo advogado Paulo Klein, “a única conclusão possível para o que se extrai do áudio clandestino e ilegal é que ele não tem qualquer vínculo político, aliás o referido áudio só comprova que ele não tem qualquer influência política que o favoreça.” O advogado não nega a autenticidade dos áudios, mas diz não ser possível ter certeza, por exemplo, sobre quando foram gravados e se foram editados.

A investigação contra Queiroz e Flávio apura supostas práticas de lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa no gabinete do senador quando ele era deputado estadual no Rio. Na conversa revelada pela Folha de S.Paulo, datada de junho, Queiroz reclama de ter sido abandonado pelo grupo político que elegeu Bolsonaro e dimensiona o tamanho do problema que a investigação poderá causar. “É o que eu falo, o cara está hiperprotegido. Eu não vejo ninguém mover nada para tentar me ajudar. Ver e tal... É só porrada”, disse.

Outro áudio, publicado na semana passada pelo jornal O Globo, mostra que Queiroz ainda tenta exercer influência sobre a nomeação de pessoas para cargos em gabinetes ligados à família Bolsonaro.

Em nota, a defesa de Queiroz afirmou ainda que “o vazamento criminoso de um áudio contendo excertos de uma conversa informal tem como único objetivo criar escândalos sem qualquer razão, uma vez que Queiroz jamais cometeu qualquer crime ou ilegalidade”. O Estado não conseguiu contato com a defesa de Flávio Bolsonaro.

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