Em áudio da PF, Protógenes afirma que deixa Satiagraha

Foi Lula quem pediu divulgação dos diálogos em reunião com Tarso e diretor da PF; delegado diz que não votla

REUTERS

17 de julho de 2008 | 19h16

Em trechos editados do áudio da reunião da Polícia Federal, na última segunda-feira, divulgados pela instituição nesta quinta-feira, 17, o delegado da Operação Satiagraha, Protógenes Queiroz , afirma que não pretende prosseguir à frente do inquérito mesmo depois do Curso Superior de Polícia que irá frequentar.  Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Justiça, a divulgação da gravação foi iniciativa do titular da pasta, Tarso Genro, e do diretor-geral interino da PF, Romero Menezes. Os dois teriam apresentado a idéia ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva  em reunião emergencial no Palácio do Planalto nesta quinta-feira.   Veja também: Ouça trechos da reunião que decidiu a saída do delegado  Lula pede 'clareza' e PF divulgará diálogo da saída de delegado Lula cobra volta do delegado Protógenes ao caso Dantas Lula teria sido alertado do risco de afastar Protógenes Em nota, PF reafirma que Protógenes pediu para sair Apesar do apelo de Lula, Protógenes deixa caso Dantas na sexta Juiz aceita denúncia e Daniel Dantas vira réu por corrupção ativa Leia íntegra da decisão do juiz que aceitou denúncia  PF anuncia Ricardo Saad como substituto de Protógenes Entenda como funcionava o esquema criminoso  Veja as principais operações da PF desde 2003  As prisões de Daniel DantasA intenção do governo é rebater os rumores de que Queiroz teria se afastado por pressões políticas. Na quarta-feira, o presidente Lula defendeu a permanência do delegado até a conclusão do inquérito. Dividido em três partes, o áudio basicamente mostra as vozes de Protógenes Queiroz e do diretor de Combate ao Crime Organizado, Roberto Troncon, embora mais pessoas estivessem presentes à reunião que tratou do afastamento dos delegados da Operação Satiagraha. Um dos trechos já começa com Queiroz dizendo que "até mesmo depois da academia eu não pretendo", dando a entender que se referia ao comando do inqúerito, o que se deduz pelo prosseguimento do áudio. "Minha proposta é: eu fico até o final da operação, eu criei um problema para os meus colegas delegados e eu acredito que para você (Troncon) também, e a minha proposta é essa: permanecer a minha vinculação no seu gabinete até o final desse trabalho para não ficar aquela pecha de que Brasília vem fazer operação nos Estados e deixa as coisas pelo meio do caminho. As minhas nunca ficaram no meio do caminho, e a exemplo dessa não vai ficar, só que com um diferencial: eu não pretendo presidir nenhuma investigação, ficarei no apoio, coletando dados, analisando", diz Queiroz. Nesse momento, Troncon o interpela: "Se eventualmente, dentro do desdobramento natural desse inquérito que você instaurou, se você concluir antes do seu período de ir para a Academia, sem nenhum problema. Agora, se não conseguir, dentro da melhor técnica, se falar não, se requer mais tempo, a gente redistribui para os colegas aqui." Em outro trecho da gravação, perguntam a Queiroz se ele conseguirá concluir o relatório até sexta-feira. O delegado responde que só faltava ouvir Humberto Braz, suspeito de ter tentado subornar a Polícia Federal a mando do banqueiro Daniel Dantas. Ex-presidente da Brasil Telecom, Braz entregou-se à PF no fim de semana. "Se o Humberto se apresentou, acredito que não tenha óbice", respondeu. Um outro policial complementa: "A gente fica para resolver os outros dois". Queiroz dividiu o relatório em três inquéritos. O primeiro, que tentará concluir até sexta-feira, aborda os crimes de gestão fraudulenta e corrupção. Os demais tratam de formação de quadrilha e informação privilegiada. Estes devem ficar a cargo de outros delegados da PF. Segundo a gravação divulgada, o delegado agradece os chefes. "Devo praticamente 100 por cento da execução dessa operação a dois homens de bem dessa Polícia Federal. Primeiramente eu destaco o doutor Roberto Troncon e em segundo o doutor Leandro (Leandro Daiello, superintendente da PF em São Paulo). Em terceiro, como coadjuvante do dois, não poderia esquecer o doutor Luiz Fernando Corrêa (diretor-geral da PF)", destacou. Nos trechos divulgados, Queiroz reconhece que errou ao permitir a presença de parte da imprensa na execução da operação. "Houve a presença da imprensa aqui em São Paulo? Houve. Falhou? Falhou. Quem falhou? O Queiroz falhou porque o doutor Troncon me depositou e eu firmei compromisso com ele, mas falhou ao meu controle." (Reportagem de Fernando Exman)

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