Em audiência, Moro nega desavenças

Juiz nega conflito com Lula ao abrir depoimento do ex-presidente; defesa do petista já tentou afastar magistrado alegando imparcialidade

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10 de maio de 2017 | 22h25

O juiz federal Sérgio Moro abriu a audiência na qual interrogou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmando não ter desavenças com o petista. “Queria deixar claro que, em que pesem algumas alegações, da minha parte não tenho qualquer desavença pessoal em relação ao senhor ex-presidente.”

“O que vai determinar o resultado desse processo são as provas e a lei. Eu sou o juiz. Estou aqui para ouvi-lo e proferir julgamento ao final do processo”, disse o magistrado.

Moro é alvo de uma ofensiva da defesa do petista, que pede a sua suspeição sob a alegação de imparcialidade para julgar as ações penais da Operação Lava Jato. A última tentativa de afastar Moro do processo, porém, foi negada ontem pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A audiência de ontem teve momentos tensos, com Lula se exaltando em algumas situações. Também no início do interrogatório, o magistrado avisou a Lula que não haveria a possibilidade de o ex-presidente ser preso durante o depoimento e que haveria algumas perguntas difíceis, o que é “natural do ato judicial”.

“O objetivo é esclarecer a verdade e oportunizar que o senhor tenha uma resposta para cada pergunta”, disse Moro. “Não tem pergunta difícil para quem quer falar a verdade”, respondeu o ex-presidente.

O petista se mostrou contrariado diante de uma das perguntas feitas pelo magistrado sobre a Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. Moro o questionou sobre o contexto em que a refinaria foi planejada durante o governo do petista.

Lula afirmou que “quem está sendo julgado é o estilo de governar”, não o caso específico do triplex. “Desde que foi criado o contexto, da caçamba feita pelo Ministério Público, na questão do Power Point, quem está sendo julgado é o estilo de governar, é um jeito de governar. Se as pessoas que estão fazendo essa denúncia querem saber como se governa, elas têm que sair do Ministério Público, entrar num partido político, disputar as eleições, ganhar para eles saberem como é que se governa”, declarou o petista.

O juiz deixou Lula falar e, ao fim da resposta, negou a afirmação do ex-presidente. Lula continuou. “O que interessa saber ao Ministério Público se eu fui em uma inauguração de terraplanagem? Era a coisa mais extraordinária para esse país fazer a primeira refinaria depois de 30 anos, doutor”, afirmou Lula, com o dedo em riste.

Negativa. Moro falou sobre as acusações que o ex-presidente enfrenta. Em uma delas, ele teria conhecimento de um esquema de corrupção na Petrobrás. A defesa afirmou que não reconhece a primeira acusação. “Esse esquema de corrupção é objeto de um inquérito tramita STF. A posição da defesa é de que a denúncia se refere a três contratos firmados entre a OAS e a Petrobrás, e o triplex”, disse o advogado do petista, Cristiano Zanin Martins.

Moro mencionou sobre uma termo de adesão de um duplex, no mesmo edifício do triplex, em que o número do apartamento está rasurado. “Talvez quem acusa saiba como foi parar lá. Não sei como tem um documento lá em casa sem adesão de 2004 quando a minha mulher comprou o apartamento em 2005”, disse. / CRISTINA CANAS E LUDIMILA HONORATO

 

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