DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Em ato pró-armas, Eduardo Bolsonaro critica contagem de homicídios do Ministério da Justiça

O deputado pediu a apoiadores cobrança para inclusão de categoria de 'legítima defesa' na compilação de casos

Dida Sampaio e Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2020 | 17h40

BRASÍLIA - Em ato pela flexibilização do uso de armas e munições, realizado na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, nesta quinta-feira, 9, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) reclamou de resistência dos Poderes sobre o tema e cobrou pressão para que o Ministério da Justiça e da Segurança Pública altere a forma de divulgação de dados de homicídios no País.

"A gente tem de pressionar para dar uma ideia ao Ministério da Justiça, para que pare de fazer estatística só com homicídio. Tem de ter legítima defesa", disse o filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Eduardo afirmou que apresentará a ideia ao ministro André Mendonça em reunião nesta quinta-feira.

Eduardo também defendeu incluir na Constituição Federal o direito ao acesso a armas de fogo. O deputado pediu ainda voto em candidatos que digam "abertamente que são a favor das armas".

"Já teve referendo, o presidente foi eleito com essa pauta. Precisa de mais o quê? Agora é renovar o Congresso Nacional", disse Eduardo, ao lamentar resistência no Legislativo à pauta das armas.

Após afirmar que o presidente dos Estados Unidos tem menos dificuldade para governar, o filho de Bolsonaro disse que o Brasil vive uma "guerra quase diária". "Para fazer as transformações que são pedidas pelo povo é mais complicado. Mas não tem de desistir. Tem de saber identificar quem são nossos inimigos. Esses merecem nossa energia para desmascará-los", afirmou.

Sem citar o inquéritos do Supremo Tribunal Federal (STF) que investigam financiamento de atos antidemocráticos e fake news, Eduardo disse que há mandados de busca e apreensão sendo feitos só para "esculachar" quem defende, entre outras pautas, as armas.

"No Brasil as coisas estão ficando tão relativas que talvez eu, deputado federal, não tenha direito à minha imunidade parlamentar. Estão indo atrás de deputados por terem falado", disse.

Realizado em plena pandemia, o ato reuniu militantes pró-armas, sendo que muitos usavam camisas em apoio ao presidente Bolsonaro.

Lobby das armas

A ampliação do porte e posse de armas é uma bandeira de campanha do presidente Jair Bolsonaro. Como revelou o Estadão, são frequentes as reuniões do governo federal com lobistas e empresários do setor.

A pauta, no entanto, ainda enfrenta resistências. Uma portaria do governo federal de abril, para triplicar o limite para a compra de munições aos portadores de arma de fogo, foi derrubada pela Justiça Federal de São Paulo. O governo chegou a apresentar recurso, mas a decisão foi referendada em segunda instância.

Como revelou o Estadão, a medida foi fundamentada em pareceres de três linhas, um deles assinado por um general que já estava exonerado da Direção de Fiscalização de Produtos Controlados do Exército, órgão de apoio técnico responsável por fiscalizar a aquisição de armamentos, explosivos e outros materiais controlados por lei.

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