Em ato contra condenação do STF, Dirceu critica mídia

Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos e 10 meses de prisão por corrupção ativa e formação de quadrilha no julgamento do mensalão, o ex-ministro petista José Dirceu afirmou hoje que meios de comunicação monopolizados atacam a classe política para evitar a regulação da mídia no País.

FELIPE WERNECK, Agência Estado

30 de janeiro de 2013 | 23h49

"É o caminho das ditaduras, uma tentativa de desmoralizar a política, os políticos e o Congresso", discursou Dirceu durante ato "Pela Anulação do Julgamento do Mensalão" no auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Rio.

Segundo Dirceu, a divulgação "desequilibrada" de escândalos políticos pela mídia tem o objetivo de "manter o Congresso de joelhos". "No dia em que o Congresso não tiver medo da Globo, da mídia, faz a regulação", discursou. O ex-ministro incitou a plateia de cerca de 600 pessoas a lutar contra o que chamou de "ofensiva contra o companheiro Lula e o governo Dilma".

Segundo ele, manter o Congresso acuado é "uma forma de criar condições para amanhã dar um golpe ilegal". O ex-presidente do PT se disse vítima de uma campanha da imprensa "como se tivesse enriquecido no governo Lula e com o mensalão".

Dirceu também atacou o STF, afirmando que um ministro do Supremo não fala em nome da nação. "Quem fala é a presidenta e o Parlamento." Para ele, o julgamento colocou em risco e violou não apenas direitos individuais, mas a democracia. O ex-ministro disse que se trata de uma "luta longa que está só começando" e que vai percorrer "todo o Brasil" para mostrar que, segundo afirma, não houve direito de defesa no julgamento.

"Pode ser regime fechado, segurança máxima ou solitária, mas não vou me calar", concluiu Dirceu, referindo-se ao périplo que fará pelo País. "Precisamos enfrentar a ofensiva que a direita está fazendo contra o nosso projeto político." (AE)

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