Em artigo, FHC propõe a Lula ‘fim das pedradas’

Tucano rebate acusações de ex-presidente sobre casos de corrupção em seu governo e diz que adversário distorce os fatos

José Roberto Castro, Agência Estado

15 de julho de 2014 | 12h09

Atualizado em 16.07

São Paulo - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso propôs ao seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, uma união contra “o que de malfeito há na vida política brasileira”. O tucano fez a sugestão em um texto publicado nesta terça-feira, 15, no portal Observador Político - ligado ao instituto que leva seu nome -, no qual acusou o petista de tentar atingir sua “honra” com acusações de que houve corrupção “escondida” no seu governo.

A proposta de FHC é feita no último parágrafo do texto, após rebater declarações recentes de Lula e relatar um diálogo com o sucessor sobre o mensalão durante viagem à África do Sul, em dezembro de 2013, quando o tucano disse que eles deveriam “virar esta página”, uma vez que o caso já havia sido julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

“Mas não, Lula insiste em continuar distorcendo fatos para dizer que todos fizeram algo parecido. Eu não caio nessa cilada”, afirmou o ex-presidente do PSDB. “Aproveito para renovar a proposta que lhe fiz naquela ocasião: por que não nos juntamos para corrigir o que de malfeito há na vida política brasileira, em vez de jogar pedras uns nos outros? O Brasil se cansou de ataques infundados.”

 

Antes, porém, FHC discorreu sobre casos como o da emenda que aprovou a reeleição e a criação do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), reagindo a declarações recentes de Lula. “Para se defender, Lula ataca. Jamais se explica, sempre acusa. Acostumado a atirar pedras, Lula é incapaz da autocrítica”, escreveu o tucano, que afirmou ainda que Lula ainda não “explicou de forma detalhada os acontecimentos que levaram ao maior escândalo de corrupção da história republicana”, em referência ao mensalão.

Jovens. Enquanto Fernando Henrique sugeria uma união contra o “malfeito”, Lula, em um vídeo divulgado ontem por seu instituto, conclamou os jovens a participarem da política.

“A desgraça de quem não gosta de política é que é governado por quem gosta. E se quem gosta for sempre a minoria, significa que a maioria bem intencionada, que às vezes nega tudo, fica sempre sendo governada por aqueles que eles acham que são ladrões, espertos e que não defendem os interesses do País.”

O depoimento do ex-presidente petista foi o primeiro de uma série que o Instituto Lula promete divulgar nos próximos dias.

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