Em ano pré-eleitoral, Alckmin estreita diálogo com prefeitos de São Paulo

Governo envia secretário estadual para participar de encontro com administradores e vai receber grupo para ouvir reivindicações

Jair Stangler, do estadão.com.br

22 de novembro de 2011 | 07h42

A um ano das eleições municipais, o governador tucano Geraldo Alckmin se aproxima dos prefeitos de São Paulo. Nesta segunda-feira, 21, eles abriram a Marcha Paulista em Defesa dos Municípios na Assembleia Legislativa de São Paulo. Alckmin não foi, mas enviou o Secretário de Desenvolvimento Metropolitano, Edson Aparecido. Segundo o secretário informou, o governador irá receber uma comissão de prefeitos com a carta que será produzida ao final do encontro.

 

Aparecido diz que a ideia é manter um diálogo "com todas as organizações no Estado que tenham como objetivo realizar a obrigação da gestão pública". Ele lembrou ainda a criação do Conselho de Desenvolvimento Metropolitano, presidido pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e que tem o prefeito de Osasco, Emídio de Souza, como vice. "Para dar um serviço público de qualidade, é evidente que vc precisa juntar esforços", defendeu.

 

O secretário defendeu que ainda se faça um novo pacto federativo. "Hoje tudo que se arrecada no País, 65% fica com a União. 20% a 23% para os Estados e 13% para os municípios. Ou a gente reformula o pacto federativo, e aí Estados e municípios são parceiros, ou então não tem jeito.

 

O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), elogiou a postura do governador. "Isso é muito bom, porque isso é um debate de prefeitos e prefeitas do Estado, de todos os partidos, dos prefeitos que podem e tem condições de participar, buscando refletir as reivindicações das cidades. Da mesma forma que os prefeitos do Brasil inteiro caminham para Brasília para reivindicar junto ao governo federal, nós também temos que reivindicar junto ao governo do Estado", declarou.

 

De acordo com ele, o movimento não tem caráter de protesto ou qualquer viés ideológico. "É importante que o governador não se sinta constrangido, assim como a presidenta da República, assim como nos oito anos do presidente Lula", disse. Marinho afirmou ainda que nem o movimento tem caráter eleitoral, e nem ele vê isso na aproximação do governador com os prefeitos. Ele comentou ainda o gesto do ex-govenrador José Serra."Não sei o que o governador Serra enxergava na marcha".

 

Aparecido afirmou não ver erro de Serra em 2009. Isso são movimentos, são cenários. Não sei o que esteve na pauta na marcha em 2009. A marcha nos procurou agora com movimento de diálogo. Não sei se foi esse o movimento em 2009", disse.

 

Já o prefeito de Guarulhos, Sebastião Almeida, também do PT, lamentou que Alckmin não tenha ido à abertura do evento. "O correto era estar aqui na abertura. Mas me parece que tem algo positivo, sinalizou que representantes do Estado, tanto hoje como amanhã, participarão aqui da marcha. Já é um avanço, já é algo positivo. Isso aqui não pode se transformar numa briga de situação contra oposição, isso aqui deve se transformar num diálogo", disse.

 

O prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury (PSDB), comenta essa preocupação com algum possível caráter partidário da marcha. "Disseram agora pra mim que a marcha é séria, não é para prejudicar o governo estadual e eu falei 'se for nesse sentido, tranquilo'. A informação que eu tenho é que começou como uma marcha do governo do PT. E eu perguntei para eles, e acho que isso nem foi legal para eles. Me pediram para colaborar na questão ambiental, tem uma mesa amanhã, então tudo bem. Minha bandeira é a seguinte não pode os municípios prestarem a maioria dos serviços públicos e ficarem com 15% da carga tributária", afirmou. Como Aparecido, Cury também defende um novo pacto federativo

Liberação de emendas. Marinho comentou ainda a pressão que os prefeitos fazem para o governo federal liberar emendas para os municípios. "Por conta do calendário eleitoral, quanto mais demora a liberação de um recurso, mais demora para a obra ser realizada. Se entra no calendário eleitoral não pode mais ser liberada. É prejuízo daquele município. É importante que a União e o Estado tenham compreensão. Porque o calendário da União e do Estado é outro. Isso não quer dizer que tenha um viés eleitoral nisso. Tem um viés de efetividade no trabalho que tem que ser realizado em cada cidade", defendeu.

 

Almeida relaciona a contenção das emendas acontece em função da crise econômica. "Agora, eu como prefeito fui a Brasília há poucos dias bater na porta (da Dilma) e dizer 'olha tem uma obra já com 25% executada, eu não posso parar. Eu preciso de liberação de mais recursos. O papel do gestor público é esse. O governo federal tem lá suas explicações, mas o meu papel administrando uma cidade é cobrar tudo aquilo que é importante para o nosso povo", afirmou.

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