Em ano eleitoral, partidos têm recorde de filiados

Segundo TSE, PMDB passou marca de 2 milhões; siglas tentam ?fidelizar clientela?, diz estudioso

Roberto Almeida, O Estadao de S.Paulo

06 de maio de 2008 | 00h00

Os principais partidos do País assistiram a um crescimento em seus quadros de olho nas eleições deste ano. O cadastramento de filiados, encerrado em 5 de outubro do ano passado, compilado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aponta que o PMDB ultrapassou a marca de 2 milhões de partidários, o PP chegou a 1,2 milhão enquanto PSDB e PT saltaram para o patamar de 1,1 milhão cada um.PDT, PTB, PR e DEM, que também tiveram seus quadros ampliados, estão com cerca de 1 milhão de filiados cada um deles.Os dados divulgados pelo TSE mostram também que, apesar do aumento no número de eleitores no Brasil, a proporção de filiados continua a mesma há seis anos. Do total apresentado pelo cadastramento, ano a ano desde 2002, menos de 10% dos brasileiros vestiu ou veste a camisa de um partido político. Para este ano, por exemplo, o País terá ao menos 128 milhões de votantes, mas apenas 12 milhões têm filiação partidária.De acordo o cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB) Leonardo Barreto os números demonstram como os partidos vêm tentando "fidelizar uma clientela". "Hoje eles buscam fornecer cursos de formação política e até cursos de profissionalização. São novas estratégias com serviços que não têm nada a ver com a proposta partidária", explicou.O PT catarinense, por exemplo, inaugurou em setembro do ano passado a primeira Escola de Formação Política do partido, com monitores capacitados pela Fundação Perseu Abramo. O objetivo da instituição é, no futuro, oferecer cursos de educação à distância. O PMDB, por sua vez, conta com a Fundação Ulysses Guimarães (FUG), que também ministra seminários e cursos de formação política.O grande número de peemedebistas filiados, porém, estaria ligado a outros fatores. Segundo Barreto, o fato de o partido ter pertencido a praticamente todos os governos criou uma prática política da busca por privilégios. "Além disso, o PMDB não tem consistência ideológica. É um agente facilitador, porque faz com que eles peguem todo mundo. De esquerda ou fisiológicos, tanto faz. E ainda contam com a maior estrutura partidária em virtude do boom do partido, quando ainda era MDB."Para Barreto, a filiação partidária hoje funciona com mentalidade similar à dos bancos, que buscam a fidelização de jovens apesar de, em tese, serem maus pagadores. "A idéia é montar um esquema em que, uma vez filiado, sempre filiado. Por isso, estão alocando unidades partidárias dentro das universidades e dos colégios", disse. "Eles acreditam que este eleitor será deles pelo resto da vida."EM SÃO PAULOO Estado de São Paulo reflete aquilo que a pesquisa nacional mostrou. O PMDB lidera com folga o número de filiados, com quase 500 mil, enquanto PT, PSDB, PTB e PP brigam por uma segunda colocação. No Estado, o DEM corre por fora, com menos de 100 mil integrantes.Na capital paulista, porém, a situação se inverte. O PT é líder com 85 mil partidários e fica à frente do PMDB, o segundo colocado. O DEM, por sua vez, teve queda vertiginosa de um ano para cá. Em abril de 2007, o TSE apontava mais de 3 mil filiados ao partido. Neste ano, porém, o DEM conta com apenas 693 partidários na cidade.

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